Balcast #46 - Entrevista com Michael Arruda - Parte 01 - Rafael Baltresca

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Balcast #46 – Entrevista com Michael Arruda – Parte 01

by  Rafael Baltresca

No BalCast de hoje trago um nome de peso para falar sobre hipnose e empreendedorismo. Michael Arruda é hipnoterapeuta há 9 anos e foi o primeiro instrutor OMNI da América Latina.

É possível que você pense que o Michael chegou aonde chegou do dia para a noite, mas, como toda pessoa de sucesso, há muita dedicação, suor e empenho na história por trás.

Fique com a primeira parte desta entrevista fantástica!

RB: Esse é um programa que falamos de empreendedorismo, negócios e ideias interessantes. Vou tentar hoje não ficar muito no tema hipnoterapia. Claro que a gente vai se esbarrar nesse assunto porque faz parte da minha e da sua vida, mas, eu queria conhecer um pouco sobre o Michael que eu conheci, mestre da hipnose que tinha um canal no YouTube e, o Michael que é presidente da Omni Brasil, pra quem não sabe, é uma empresa focada em treinamento de hipnoterapia. Sei que é uma empresa que está no Brasil há poucos anos, mas, no mundo ela já existe há bastante tempo, que foi administrada por Gerald Kein e hoje é administrada pelo Hansriedi Wipf. Conta um pouquinho pra mim como que foi, quem era o Michael há uns 10 anos, você tem 31 anos hoje. Você se formou em que? O que você fazia da vida? Você acordou um dia e falou: ‘’Quero ser dono da Omni’’. Conta para gente!

MA: Você falou que na nossa vida a gente está sempre focado na área da hipnoterapia. Eu, atualmente, estou muito mais ligado na questão do empreendedorismo e eu uso a hipnoterapia para ajudar pessoas, empresários a alavancarem seus negócios através da mente.

RB: Mas como começou isso lá atrás?

MA: Eu quero contar que a minha vida mudou por causa disso. Então, eu comecei na hipnose bem novinho, como um hobby, tentando conquistar uma garota com 13 anos de idade, mas essa história fica para outra hora.

RB: Começou a hipnose com 13 anos?! Ah, não… tem que contar!

MA: Quando eu estava começando a adolescência, ali com 13 anos de idade, eu era um cara que tinha um nível de timidez e com medo de falar com qualquer garota, mesmo aquelas que eram da minha turma. E eu estava meio apaixonado por uma menina, que era de outra turma, que nem sabia da minha existência, porque eu não falava com ninguém. E eu falei: ‘’Bom, uma forma de chamar a atenção dela seria aprender a fazer hipnose, e então, começou a hipnotizar as pessoas da escola, viro o garoto mais popular e ela vai ver que eu existo e me querer’’. Só que há quase 20 anos atrás, ninguém pensava nisso, em hipnose. Mas de onde veio isso?

Quando eu tinha 8 anos de idade, meu irmão mais velho começou a estudar hipnose também. E um dia brincando lá no meu prédio, eu vi um grupinho de pessoas com alguns rindo e outros chorando e meu irmão saindo ali do meio e perguntei para o meu colega: “O que está acontecendo ali?”. E ele me disse que meu irmão estava fazendo hipnose e fez a menina ver o ídolo dele. Eu vi aquele grupo, achei um máximo meu irmão fazendo aquilo e, estava plantada a sementinha da hipnose em mim. E aos 13 anos começou a florescer.

E então, comecei a estudar com os livros antigos, mas, só no livro ali não deu muito certo, não era tão simples quanto parecia na época e ali ficou meu sonho de querer continuar a aprender, Só que, ao mesmo tempo, nesse período, como qualquer pré-adolescente, acreditava que a vida era perfeita e, tudo era uma questão de tempo. Acabaria a escola, faria uma faculdade, depois arrumaria um emprego perfeito, ganharia um bom dinheiro e estava tudo bem. Só que, essa crença não durou muito tempo porque, nesse período, a gente descobriu que a minha mãe estava com câncer de mama e foi um impacto para toda a família, mas, com o suporte do meu pai, que era muito presente, a gente superou, deu tudo certo. Quatro anos depois, houve outro abalo, que foi quando meu pai faleceu. Sofreu um infarto e faleceu praticamente nos braços da minha mãe.

RB: E você tinha 17? Fazia faculdade? Colegial?

MA: Eu tinha 18 anos, nessa época eu estava estudando porque eu queria ser um pianista, que era o meu sonho desde pequeno. Eu comecei a estudar, teve bastante influência do meu pai, que era militar, que falava: “Olha… é melhor arrumar um negócio seguro, deixar isso como hobby…”, mas eu me foquei naquilo ali, eu queria e eles me apoiaram. Eu estava estudando com um dos melhores professores de piano do Brasil, que os alunos dele, hoje, são todos concertistas na Europa e meu pai bancando. Aquele era o meu sonho, só que quando ele faleceu, além de todo abalo emocional, eu não tinha mais a condição de continuar estudando música. Porque eu morava no Espírito Santo, na época eu tinha que viajar para o Rio de Janeiro duas vezes por mês, minha mãe era psicóloga e só com a renda dela a gente não teria condição.

Nesse momento, eu fiquei revoltado com a vida, porque pensei: ‘’Tem pessoas que tem tanto, tem uma abundância financeira para várias coisas e eu só quero realizar uma coisa que gosto, ser um músico, mas, eu não tinha condição pra isso’’. E comecei a entrar na área mais empreendedora, que procurei buscar autores como: Napoleon Hill, T. Harv Eker, Robert Kiyosaki. Comecei a ler livros, biografias de pessoas de sucesso e vi que realmente, as pessoas de grande sucesso tinham padrões mentais diferentes do que pessoas medíocres, em termos financeiros. Fiquei empolgado com esse novo conhecimento que eu estava adquirindo, foi quando eu conversei com a minha mãe, que estava preocupado com a questão da minha educação formal e eu não estava estudando para faculdade, não poderia fazer música e agora, pensando: “o que o meu filho vai fazer?”. Eu falei para ela: Não, mãe. Agora não precisa se preocupar. Eu estou entendendo como as pessoas fazem sucesso, estou lendo os livros, entendendo como a mente funciona, a gente vai dar um jeito, e eu vou ter muito sucesso. E ela ficava preocupada com essa minha esperança.

RB: Ela trabalhava ou não? Os dois filhos, você não trabalhava e queria se formar.

MA: Nós somos em quatro irmãos. Minha mãe trabalhava e tinha a pensão do exército, só que a gente não conseguia manter o mesmo padrão.

RB: Deixa eu fazer uma pausa aqui, Michael. Quer dizer, um grande turbilhão de tudo. Porque muita gente passa por turbilhões, às vezes, não como o seu, mas, um outro tipo de abalo emocional. Qual é a essência para falar: “mesmo que tudo esteja desse jeito, eu vou vencer, vou ler esses livros, vou fazer a coisa acontecer…” e, não era na música, né? Pior ainda… por ser uma coisa que você estudou a vida inteira. O que passa na cabeça? É uma revolta transformada em algo bom?

MA: Na realidade eu lembrei de um momento específico quando você falou isso, de quando surgiu. Depois da morte do meu pai, obviamente veio as pessoas visitarem. Um amigo meu, que tinha 18 anos, veio me visitar e ele foi com o carro que tinha acabado de ganhar do pai dele, um carro zero porque o pai dele era muito rico e, ele não precisava se preocupar com nada. Fiquei com aquilo ali na mente, o que me deixou muito revoltado – eu sou um pouco orgulhoso também – e tocou um pouco meu orgulho porque, “poxa… meu amigo está aí e eu, agora, por não ter dinheiro, não vou alcançar as coisas, porque as pessoas tem e eu não tenho? Não! Eu quero mostrar que eu posso também, mostrar que eu vou além’’. Justando com a preocupação da minha mãe, porque ela tinha uma preocupação de verdade: ‘’o que o meu filho vai fazer? E agora?’’

RB: Mas ler livro não dá dinheiro, e aí? Você lia livros… empreendeu… o que você fez?

MA: Li os livros e falei: ‘’Olha… vai dá certo, vou dar um jeito’’. E surgiu a oportunidade de começar a empreender, foi quando apareceu o marketing multinível na época, numa empresa. Me convidaram para participar.

RB: Qual que era?

MA: Hoje não é muito conhecida, chama “Tahitian Noni”.

RB: “Tahitian Noni”, eu fui nas reuniões da “Tahitian Noni”. Não trabalhei para eles. Um amigo me levou e eu não quis entrar nisso não. Ele disse que era maravilhoso!

Depois de cinco anos eu encontrei esse amigo e ele me disse que estava fora, era uma furada.

MA: Mas, um pouco antes de sair, por conta da morte do meu pai, minha mãe estava muito abalada, o câncer acabou retornando e um ano depois ela faleceu. Então, ficou eu e um irmão mais velho que morava fora. Eu tive que cuidar dos meus irmãos mais novos e a vida virou uma bagunça, um turbilhão.

Nesse momento, juntei um pouco das economias que tinha. Meu irmão mais velho ajudou bastante porque ele era concursado. Então fiquei quase dois anos sem saber o que fazer e só tendo ideias de negócios para empreender, mas, me recriando por dentro, nada parecia que deslanchava. Até que surgiu uma oportunidade, um cara me achou na internet e ele trabalhava com investimentos. Eu já tinha trabalhado com investimentos antes, quer dizer, tentado trabalhar com investimentos e bolsa de valores, não tinha dado muito certo. Então, um cara do ramo de investimentos me achou na internet, era aqui de São Paulo e me fez um convite. Ele viu que eu sabia/entendia da parte da mente e disse: “Eu tenho um grupo de traders e estou reparando que entre as principais coisas que afetam o rendimento dele é a questão mental. Vi que você já trabalhou tanto com investimentos e tem o conhecimento da parte da mente. Você não quer vir dar uma aula para gente? Uma assessoria? Alguma coisa?

Então, eu vim pra São Paulo. Só que, a história desse cara era a seguinte, ele tem uma filha, mas, sempre teve o sonho de ter um filho, era um multimilionário e se conectou com a minha história. Na época, ele meio que me adotou como um filho dele e passou a ser meu mentor. Toda manhã ele me passava lição de negócios e como ele pensava em certas coisas. Uma dica que eu lembro: ‘’Olha… você tem que separar um momento do seu dia, pelo menos uns quinze minutos, para assistir vídeos motivacionais para alimentar sua mente com coisas positivas’’. Então, todo dia eu comecei a fazer isso, me ajudou bastante nessa época e eu acabei ficando lá. Aprendi mais sobre trading junto com ele e o negócio foi indo. Esse cara foi quem me deu uma sacada e disse: “Olha… se você quer alcançar alguma coisa na sua vida, você precisa mudar seu padrão mental. Então surgiu a ideia da hipnose e pensei: “Será que não tem alguma coisa na hipnose que possa ajudar?’’. Buscando, eu achei a hipnoterapia, foi quando eu encontrei a OMNI.

 

Iai, ficou curioso para ouvir a continuação dessa história? Então fique ligado que semana que vem teremos a parte 2, desse papo com Michael Arruda!


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Rafael Baltresca

Rafael Baltresca é palestrante, facilitador e hipnólogo corporativo. Atua desde 2004 como conferencista dentro e fora do Brasil.
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