INSIGHTS

O custo da falta de inovação

by  Rafael Baltresca

Talvez você não faça a menor ideia disto, mas estou certo de que a sua empresa – ou a sua vida pessoal – pode estar arcando com um enorme custo: o da falta de inovação. Este é um dos chamados custos invisíveis, aqueles que ocorrem o tempo todo, mas se não pararmos para pensar e trazê-los à luz, só vamos entendê-los quando o estrago acontecer.

Sobre inovação…

Inovar é – basicamente – fazer algo de uma maneira diferente, transformar o seu maravilhoso e perfeito brigadeiro em um doce gourmet, com mais qualidades, mais benefícios… é poder reavaliar os seus processos básicos e repensar o que já é óbvio para você; e destacar-se da massa, da comoditização que já estamos habituados a ver em empresas brasileiras.

brigadeiro gourmet

Muitos procuram grandes sacadas para trazerem inovação aos seus negócios e “congelam” nas ações por falta de ideias geniais, deixando de fazer o mínimo e comprometendo ainda mais suas receitas com estes grandes e invisíveis custos.

O passo-a-passo da inovação

Preparei um passo-a-passo simples e super eficaz para você mudar essa situação em sua empresa seguindo o que eu chamo de os 6 passos para a quebra da inércia e inovação:

1. Realize reuniões REGULARES com sua equipe.

Infelizmente é impossível prever uma data específica para uma boa ideia aparecer. São as reuniões regulares que fazem seu cérebro compreender que há espaço para mudanças e, aos poucos, as “sacadas” vão aparecendo. É importante separar reuniões de divergência (brainstorming) das reuniões de convergência.

Nas reuniões de DIVERGÊNCIA, chamados por muitos de brainstorming – ou “toró de parpites” – , tudo é válido. Nenhuma ideia deve ser descartada; é parte do processo listar todas as possibilidades, independente da dificuldade aparente de implantação. Aparente, pois outras ideias podem vir a partir de uma ideia desconexa. Excluir essas ideias logo de cara, pode minar as outras que viriam.

Já as reuniões de CONVERGÊNCIA têm o objetivo de organizar as ideias por ordem de relevância e iniciar o planejamento para execução. Este é o momento de montar o quebra-cabeças, pois a implantação de uma ideia pode influenciar em processos já estabelecidos. É hora de pensar nas variáveis e intersecções com hábitos e processos antigos.

2. Colecione problemas (e incentive os outros a fazerem o mesmo).

Se pararmos para pensar cirurgicamente, o que fazemos é resolver problemas. Se vendemos carros, resolvemos problemas de locomoção; se trabalhamos na equipe de logística, resolvemos problemas de organização, estoque, entrega; independente se trabalhamos com finanças, administração ou medicina, o que fazemos é resolver problemas.

Pense nisso: se você não resolvesse um problema da empresa em que está inserido, você não estaria mais aí.

Partindo desta ideia, colecionar problemas parece ser bastante interessante, não? Muitas vezes os problemas não são tão explícitos como gostaríamos que fossem, mas esta é a grande sacada da inovação: encontrar problemas ocultos e agir rapidamente para solucioná-los.

Veja só: empresas como Uber, Amazon, Apple, Instagram, WhatsApp, Facebook nasceram para resolver problemas; e o sucesso delas é proporcional ao tamanho dos problemas que resolvem.

Olhar para o seu negócio diariamente procurando encontrar problemas é um ótimo início para você se livrar do custo da falta de inovação. Você vai se surpreender com o número de problemas – ou melhor, oportunidades – que aparecerão: relacionamento com clientes, vendas, compras, produção, entrega, financeiro, administrativo?

Não se assuste… comece com pequenos passos até este olhar fazer parte do seu dia-a-dia.

3. Crie um programa de escuta ao cliente.

Se você achou um pouco desgastante e não-convencional procurar por problemas em seu negócio, fique tranquilo, pois o seu cliente fará isto para você com todo o gosto!

programa de escuta ao cliente

Reclamar faz parte da natureza humana. É raro encontrarmos alguém que esteja contente com tudo. Pois bem, se você facilitar essas reclamações, terá muitos ganhos. O seu cliente ficará feliz em saber que alguém quer ouvi-lo. Isto trará bem-estar e aumentará a possibilidade de retorno. Se esta ação for retribuída com um presentinho, melhor ainda!

Sabe quando você reclama de um prato no restaurante e o maître refaz o prato e ainda te traz uma sobremesa grátis? É isso que estou falando… Recompensar uma atitude aumenta a possibilidade da mesma voltar a acontecer. É claro que os presentes não devem ser caros a ponto de desestabilizar o seu negócio, mas um chocolate ou um link de acesso a algo exclusivo (com custo zero) podem te ajudar a receber de “mão beijada” a análise do seu negócio pelos seus clientes.

Um dos cases de sucesso neste quesito é o restaurante Outback. Ao final do jantar, recebemos um ticket com um link para responder a uma pesquisa deles; e, quando respondemos, ganhamos uma batata assada ou uma super “bloomin’ onion” na próxima visita. Eles recebem o feedback e ainda encorajam-nos a voltar e, claro, jantar novamente lá!

Mas, caso você não esteja disposto a ouvir seus clientes e prefere jogar a sujeira para baixo do tapete, escondendo-se do que não te agrada, este artigo NÃO É para você.

4. Faça a GESTÃO DO PROCESSO de mudanças.

Da mesma forma que não querer saber os problemas estagnará o seu sistema, ver o problema e não fazer nada não mudará em nada o seu negócio. A sistematização do processo de mudanças consiste basicamente em designar tarefas, responsáveis, métricas e revisões.

a. Escolha bem as pessoas e as tarefas a serem cumpridas. Deixe tudo claro e esteja certo de que todos entendem o porquê disso tudo;

b. Como o processo poderá ser avaliado sem métricas claras? Independentemente do que irá mudar, se não houver formas claras de avaliar o processo no futuro, não haverá formas de medir o sucesso do mesmo;

c. Chegará a hora de avaliar. Nas próximas reuniões, faça análises e revisões para manter, modificar ou, se necessário, cancelar este novo processo.

5. Repense o óbvio.

É muito arrogante de nossa parte pensar que nosso “brigadeiro gourmet” não pode ser melhorado. O processo de melhoria contínua é a base de qualquer negócio próspero. Sabe aquela cara de repartição pública, com computadores da idade da pedra, teia de aranha na janela, cadeiras rasgadas e piso rachado? Pois é… um dia isto já foi novinho em folha.

Nenhuma empresa resiste à força decadente do tempo. Repensar o óbvio, o que está indo bem, o que “sempre foi assim” é uma atitude de poucos, mas que pode salvar seu empreendimento.

6. Sistematize tudo isso!

Não há nada mais frustrante do que remar contra a maré. E tentar implantar algo em nossa empresa sem a sistematização adequada é sinônimo disto. Não podemos deixar ideias, reuniões, novos processos a cargo de nossa memória. Hoje há muitos sistemas administrativos, logística, de CRM e outros que nos ajudam a organizar nossa empresa, mas se você quer algo mais simples, pode usar o próprio Outlook ou até uma agenda de papel.

Organização e controle, independente da forma, é um grande passo para o sucesso. Como disse Pitágoras: “Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito”.

O segredo é simples… comece hoje mesmo.

Chame a sua equipe, discuta sobre esses tópicos e parta já para a ação. Afinal, o custo da falta de inovação é alto, mas o lucro que a inovação constante traz é ainda maior!

Participe também da minha palestra gratuita Autogestão de mudanças. Nela explico com mais detalhes todos os passos da inovação para você poder iniciar ainda hoje o processo de mudança em seus negócios e em sua vida pessoal.

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Aproveite!

 

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Rafael Baltresca

Rafael Baltresca é palestrante, facilitador e hipnólogo corporativo. Atua desde 2004 como conferencista dentro e fora do Brasil.
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