INSIGHTS

BalCast #49 – Parte 2 – Entrevista com Daniela do Lago

by  Rafael Baltresca

Acompanhe a segunda parte de um papo alto astral, que vai te dar boas dicas caso você esteja naquele momento “será que?” da sua carreira. Confira agora o desfecho do primeiro BalCast de 2019 com minha amiga Daniela do Lago!

RB: Senhoras e senhores, ladies and gentlemen, hombres y mujeres, como ustedes?

Minha amiga, Daniela do Lago, em mais um… BalCast!

Fala pessoal! Voltamos, aqui! Tá bom o papo. Né, Dani?!

DL: Tá ótimo!

RB: Você está curtindo?

DL: Estou adorando!

RB: Você imaginou que iria ser tranquilo, assim?

DL: A gente fala muito.

RB: Claro.

DL: É relax! O papo flui, hein…

RB: Bom, estamos aqui, agora, a parte 2, com a Daniela do Lago.

DL: Isso!

RB: Fomos!

RB: Bom, vamos parar esse momento. Troca!

DL: Não existem garantias.

RB: Momento João Kléber…

DL: Momento decisivo! Ah! Para tudo.

RB: Qual dica você dá para essa pessoa que te ouviu, agora e falou: ‘’Putz! Estou com Será que?’’, pode ser na empresa, com o meu marido, namorado, pode ser com qualquer coisa.

Você me deu uma dica, já! Uma das dicas que parece, você falou: ‘’Olha! Eu fiz uma reserva financeira’’. Então, não dei uma de louca, simplesmente, joga tudo para cima…

DL: É planejado. O negócio é planejado.

RB: É isso. O básico é planejar. O básico!

O que mais?

DL: E aí, eu fiz uma reserva financeira e falei: ‘’Tá bom. Eu vou, como todo e qualquer profissional, como administradora, eu não posso ter uma visão romântica do negócio’’, porque quando a gente tem uma visão muito romântica do negócio, a gente quebra. Tá?

Então, eu falei: ‘’Tá bom. Caso tudo der errado, eu tenho um recursos financeiro por um ano e meio/dois’’. Eu travei isso como meta e ralei para conseguir conquistar esse montante.

RB: E, também, se tudo der errado, você pode voltar ao que estava fazendo…

DL: É, isso mesmo.

Eu tinha esse fôlego financeiro. Você tem que ter esse fôlego. Tá?! Porque, senão, você não aguenta. Porque é uma coisa que não vai dar certo do dia para a noite, gente. As coisas não funcionam assim. Pode ser que aconteça, mas é um fenômeno, não é regra. A regra é outra. Tá?!

E aí, eu sugiro que você converse com mais de uma pessoa e, principalmente, com pessoas de círculos diferentes. Caso você tiver a oportunidade e ter acesso a um profissional qualificado, como por exemplo, eu falo: ‘’Hoje eu trabalho com processos de coaching’’ e eu valorizo muito isso, então, é legal. Mas, de repente, você fala assim: ‘’Eu não tenho esse recurso financeiro. O que eu faço?’’. O ideal é que você converse com pessoas, as quais você confia, mas de círculos diferentes. Às vezes, igual, por exemplo, as nossas áreas, elas conversam, mas são áreas diferentes, são áreas distintas. Eu adoro bater papo com você porque você tem uma visão diferente. Então, você amplia o meu norte, a minha esfera, minha perspectiva. Então, conversar com pessoas diferentes. Né?!

Pessoas, as quais você admira e pessoas, as quais deram esse pulo. Fizeram isso, deram esse pulo. Né?! E bate um papo.

E aí, por exemplo, eu vou te falar a real. Sabe?!

Aí você vai… não é fácil. Nossa! Você fica sendo nisso, você chora… porque é uma ‘’super’’ decisão, mas aí eu tomei.

Uma vez… essa é uma outra dica que eu dou. Decidiu por um caminho, não olhe para trás. A grama do vizinho não é mais verde do que a sua. Nada iria adiantar, eu num momento de, sei lá, fraqueza, num momento em que as coisas estão dando errado na estrada nova, eu ficasse olhando lá, para aquela empresa e falar, assim: ‘’Se eu tivesse lá… onde é que eu estaria?’’. Mesma coisa quando você escolhe casar… eu até brinco, falando: ‘’Homem não sabe o que quer. Né, gente?!’’. Quando está solteiro, quer casar. Quando está casado, quer morrer.

RB: É uma estrada, também. É um ‘’busão’’ que pega.

DL: É.

Então, ao invés de você olha para a pessoa e falar, assim: ‘’Eu escolhi essa’’. Você olha como a sua escolhida… tem gente que escolhe uma coisa, só que olha: ‘’Olha quantas estou perdendo por aí…’’, aí você não fica nem lá, nem cá. É horrível! Você sofre. Tá?!   

Então, assim, escolha o que você escolheu. Olha que frase esquisita, mas ela é poderosa. Escolha o que vocês escolheram. Se você escolheu um caminho, você vai trilhar esse caminho.

Você não escolheu ter filho? Você está com uma bebezinha. Né?!

Tem que escolher isso, de verdade. Porque tem as coisas maravilhosas e você tem noite sem dormir. Entendeu? Tem o choro, tem a cólica. Então, assim, quando a gente olha: ‘’Eu escolhi esse negócio’’. É igual quando a gente vai num restaurante. Você pegou o cardápio e lá tem mil opções desta vida, aí você escolhe uma. E aí, se eu escolher aquele prato, eu vou aproveitar aquele prato, de verdade, porque fui eu que escolhi.

RB: E não ficar olhando: ‘’Hmmm, devia ter pego este daqui…’’.

DL: E não ficar olhando: ‘’Hmm, olha o prato que ele escolheu, olha esse, deixa eu olhar o vizinho’’.

RB: Eu li uma coisa bem legal, que é o… achei genial isso, não sei até que ponto é verdade, porque a gente não consegue validar na totalidade, mas faz algum tipo de sentido. E fala o seguinte: ‘’O ser humano é o único animal que consegue pensar sobre os seus próprios pensamentos’’. Então, a gente pensa em algo, por exemplo, ‘’ah, essa Daniela que está aqui, dá licença!’’, aí, daqui a pouco, eu penso: ‘’mas por quê eu estou pensando isso dela, né?! Ela não é assim’’.

DL: Olha que beleza. Né?!
RB: Quer dizer, eu penso e penso em cima.

DL: É.

RB: O cachorro, pelo o que eu vejo do meu cachorro, não. Ele pensou, ele vai. Né?!

E isso de a gente poder pensar sobre nossas decisões, por um lado, ele é muito legal porque você consegue destruir, construir, ressignificar seus pensamentos, mas por outro, é complicado.

DL: Você tem que tomar cuidado para não se perder.

RB: Exatamente!

DL: Para você não se perder nos seus pensamentos.

RB: Porque, nisso, você tem uma decisão e você fica pensando: ‘’Mas será que é isso? Mas e se eu tivesse feito isso?’’

DL: ‘’Mas será que é isso? E se isso acontecesse?’’.

RB: Então, assim, decidiu…

DL: Vai na prática!

RB: Vai! Põe um prazo. Né, Dani?! Põe um prazo. ‘’Olha, seis meses. Eu vou mergulhar nisso daqui, nessa piscina. Eu vou me afogar com essa água’’.

DL: Isso!
RB: ‘’Dá seis meses, eu vou ver. Foi legal ou não? Ou eu saio e vou para outros mares’’. Né?!

DL: Exatamente! Então, assim, você tem que dar esse prazo e ‘’tocar o pau’’ para fazer acontecer, mergulhar de verdade. Entendeu?  

E, assim, foi tão louco porque as coisas, quando você acerta e você une esse propósito com o que você estudou, com as coisas, quais você quer projetar… é muito louco porque o universo te responde.

RB: Então, e quando que ele começou a responder?

DL: Então, um ano e meio/dois, aí o negócio já estava fervendo.

RB: E você foi estudar marketing, foi fazer MBA… não! MBA é de administração. Nada a ver.

DL: É… aí eu fiz o mestrado.

RB: Existe MBA de marketing. Não?!

DL: Tem. Eu fiz um MBA em marketing, focado em marketing, pela Fundação Getúlio Vargas. Depois eu fiz o mestrado. Terminou o mestrado, eu já estava dando aula, eu já tinha sido contratada pela FGV. Fui a professora mais jovem a ser contratada.

RB: Você fez o mestrado, lá?

DL: Não. Eu fiz em outro lugar. Fiz na USCS, lá em São Caetano.

Eu tinha uma sócia, a Samanta. Um beijo para Samanta que é minha amiga.

RB: Um beijo! Esse aqui está sendo…

Olha, Lucas, joga beijo nessa edição.

DL: Hoje está sendo dos beijos todos por aí.

Aí é muito legal as conexões que você acaba fazendo. Né?!

RB: Vou mandar um beijo para a minha sogra, também, que está me vendo. Um beijo pra você!
DL: Um beijo, sogra! É…

RB: E aí?

DL: E aí, assim, as coisas começaram a fluir. Então, aquilo que eu tinha planejado, em termos de metas financeiras para cinco anos, em três eu já tinha alcançado.

RB: Funcionou.

DL: E aí, isso te dá uma energia, te dá um gás. ‘’Pô! Eu estou certa, estou certa, estou no caminho’’. Quando é que a gente percebe que o caminho está certo? Quando você tem respostas, também, do mercado. Essa é uma outra dica boa.

Rafa, presta atenção nessa sutileza.

Nem tudo…

Todo mundo tem um talento, hein! Todo mundo tem um talento.

Às vezes, o seu talento, ele não é compatível com a sociedade de agora. Se a gente estivesse fazendo esse BalCast há 300 anos, a gente não estaria aqui, estaria plantando, porque era uma Era Agrícola. Então, não existiam empresas. A indústria não existia. A Revolução Industrial tem 150 anos.

Então, assim, talvez, hoje algumas pessoas têm certos talentos que a sociedade não vê. Por exemplo, eu tenho uma amiga que ela faz origamis. E o lance do origami, eu nunca entendi direito o que é isso, mas assim, quanto menorzinho você faz as dobrinhas, mais valioso ele é. E ela é fera nisso. Ela me dá uns presentes de aniversário, umas caixinhas que eu abro e falo: ‘’Cadê?’’, porque eu nem vejo de tão dobradinho que é. E eu falo, assim: ‘’Olha, amiga! Hoje a sociedade não compra origamis. Né?! Então, isso vai ser um hobby pra você. Produza um monte porque quem sabe lá na frente… você vai ter que trabalhar com algumas outras coisas’’.

Van Gogh, por exemplo, pintou 800 quadros. Sabe quantos quadros, em vida, ele vendeu? Um.

Pensa lá atrás, se você tivesse conhecido Van Gogh, talvez, se eu fosse a profissional de carreira e ele pintando, lá.

RB: E ele te deu um de presente. ‘’É o primeiro que eu pintei. É o primeiro…não está muito legal. Toma de presente’’.

DL: Aí você fala: ‘’Van Gogh, amigo…’’

RB: Já pensou o primeiro?

DL: É. Já pensou?

Falar: ‘’Van Gogh, olha, veja bem… você já pintou tantos quadros, você não está vendendo nada, filho… desencana. Né?!’’. Talvez ele ouviu muito isso. Então, assim, tanto é que ele morreu pobre. Né?! Hoje quando que vale um Van Gogh?

Então, assim, com absoluta certeza, Van Gogh foi um talento à frente do seu tempo. O mercado não valorizava o talento que ele tinha. Pode ser que isso aconteça com você, hein… isso é raro, hein! Também não vai achando que você tem um talento…

RB: É legal falar disso, nunca tinha pensado. Duas coisas me vieram à mente, a filosofia, olha só! Como, hoje, os filósofos… o Cortella, o Pondé, o Karnal, o Clóvis de Barro Filho… olha como está pegando fogo. Né?! E, hoje, ser filósofo é cool, é legal, é interessante, você é ouvido. Né?!

DL: Isso, mas olha lá atrás…

RB: Há 10 anos…

– Ah! Sou filósofo.

– O que você faz?

– Ah! Eu dou aula de filosofia.

DL: Exatamente. Morria de fome.

RB: Outra coisa é a Neurociência.

DL: Isso. É!  

RB: Não sei se você conhece a Carla Tieppo, uma das The best, ‘’super’’ amiga, um dia eu quero ela, aqui, no BalCast. E a Carla fala isso, ela fala: ‘’Hoje é cool ser neurocientista. É bem valorizado, a gente ganha bem e tudo mais. Mas quando eu comecei a estudar isso daqui, meu amigo, nada.’’

Então, interessante isso. Muitos talentos nossos, eles vão ser reconhecidos lá na frente. E deixar de lado eles, hoje, pode ser que a gente esteja matando um…

DL: Por exemplo, eu fiz.. é legal você falar isso. Hoje, por exemplo, de uns dois/três anos para cá, virou cool, no Brasil, ser coach, fazer coaching virou moda. Moda!

Eu já tenho uma formação nisso, há 13 anos. Então, lá atrás, quando ninguém sabia o que era isso.

RB: Você estava estudando.

DL: Eu já estava estudando, eu já tinha uma informação, uma especialização. Então, assim, hoje eu dou muita entrevista sobre essa área de coach e tal. Às vezes, umas palestras, alguém chama para falar: ‘’Vem explicar o que é isso!’’, porque muita gente ainda não sabe porque virou uma moda. Agora o negócio está fervendo, mas muitas pessoas, também, nem sabem o que isso quer dizer. Então, assim, isso é uma dica importante lá atrás.

Então, aí eu tomei – voltando – quando eu tomei a decisão, falei: ‘’Vamos! Taca o pau e vamos nessa!’’ e aí foi que eu comecei, Rafa.

E no começo, como todo e qualquer começo, você come grama. Né?! Ué. Faz parte da vida, bem. Isso é bom! Porque você acerta, você erra, aí você vê o que foi bom e a gente repete, o que não foi bom, eu tiro, eu arrumo. Então, você, por ser empresária… e aí você começa. Antes eu era a Daniela da Mercedes, todo mundo me recebia e depois eu virei Daniela do Lago. Então… quem é? Daniela da onde?

RB: Saiu da Mercedes e mergulhou.

DL: Essa é uma coisa interessante…

Você era o Rafa da Gradiente… entendeu? Depois você…

RB: Engenheiro, é…

DL: É…

RB: Exatamente…

DL: Então, assim, você tinha um sobrenome e muitas empresas têm sobrenomes poderosos que te abrem portas e você vê a vida real. Né?! Depois é você com você.

RB: Você começou a dar aulas e em paralelo com isso…

DL: Em paralelo: treinamentos.

RB: Coaching…

DL: Não. Coaching ainda não. Eu peguei a formação, depois. Né?!

Aí eu dava treinamentos nessa área de comportamento, de liderança. Então, eu estudava muito para a aula, pra você conseguir dar aula. E aí, automaticamente, criava uma série de coisas para dar os treinamentos, eu fui criando os meus treinamentos, as minhas dinâmicas. Hoje eu tenha mais de trezentas dinâmicas publicadas. É… enfim, é um trabalho construído, uma construção, uma estrada. Né?! E aí, eu nunca mais saí. Ali eu vi.

Então, lá atrás, eu comecei com essa parte de desenvolvimento de carreira. Eu falei: ‘’Poxa! Eu quero trabalhar aí. Que história é essa de que ninguém me ensinou. Eu estou vivenciando a minha, mas vejo que muita gente tem esses dilemas, também. Por que, raios, a gente fica em uma empresa, trabalha em uma, trabalha na outra? Por que as pessoas acham que é chato trabalhar? Pô! Trabalhar é legal pra caramba. Eu amo o meu trabalho.’’

RB: Dani, é legal você se olhar no espelho – não sei se você faz isso, imagino que sim, se não faz, deveria – e falar: ‘’Venci! Venci… cheguei em um lugar legal’’.

Claro que tem muito pela frente, mas… sabe? Você tem três livros, uma carreira como instrutora, professora… quantas vidas você já influenciou?!

DL: É…

RB: Às vezes, eu vejo seus posts no Insta com o pessoal da sala de aula.

DL: Isso.

RB: Tipo assim, se você pudesse olhar para trás – vou dividir a pergunta em duas. Tá? – quais foram os comportamentos que você ensinaria isso…

DL: Os fundamentais…

RB: Isso! Para um… como a gente falou sobre o guru, ou… como você chamou? Um mentor.

Um mentorado seu. O que você que foi fundamental?

Porque tem muita gente ouvindo a gente e quando eu faço o BalCast ou qualquer publicação minha, eu faço uma força para entender a real. Qual é a real?

Uma pessoa do Acre, do Japão, uma pessoa… um brasileiro que mora em Porto Alegre ou que mora na Suíça.

DL: Que está em vários níveis, aí…

RB: Pode ouvir a gente e ser um click. Uma pessoa que fala, assim: ‘’Putz! O que eu estou fazendo? Parece que não está acontecendo…’’ e aí? O que é? Qual é a disciplina?

DL: Então, são duas dicas. A primeira delas é você se conhecer. Você precisa, de alguma forma, olhar para dentro e falar, assim: ‘’Cara! Eu sou bom em que? No que eu sou bom, mesmo?’’ e não é o que sua mãe diz que você é, não. Tá?

Aquilo que você fala, assim: ‘’O que eu faço com facilidade? O que eu me interesso?’’. Todo mundo tem isso.

RB: Que a gente pode chamar de talento. Qual é o talento? O que é natural?

DL: É um talento. O que é natural?

Como é que a gente descobre isso?

RB: Aquela frase: ‘’Se eu não precisasse de dinheiro…’’. Né?!

DL: Isso. O que eu faria? Eu faço o que?

Tem gente que fala: ‘’Ah! Eu ficaria dormindo’’. É mentira, mentira! ‘’Ficaria dormindo… não faço nada o dia inteiro’’, mentira! Tem alguma coisa…

RB: Ninguém aguenta.

DL: Não! Ninguém aguenta.

RB: Não é um presidiário que poderia ficar preso, dormindo…

DL: Isso é uma ilusão que se tem, que vendem aí fora e é uma coisa errada.

Aí, por exemplo, como é que a gente descobre isso? Através, literalmente, do trabalho. Quanto mais você começa a trabalhar… pensa em você, seus primeiros trabalhos lá atrás. Quantas coisas você já fez? E tem coisas que faz naturalmente e tem coisas que você fala, assim: ‘’Eu não quero, não’’. Então, são como se fosse sementes, as quais você vai plantando e depois você vê o fruto, o que nasce mais rápido.

Esses são os talentos que a gente vai descobrindo.

RB: Quer dizer: é fazendo…

DL: Por isso que eu falo: ‘’Começa a trabalhar cedo, hein’’.

RB: Que as luzes vão ascendendo.

DL: Começa a trabalhar cedo!

Olha só, os meus insights lá atrás, na Mercedes. Quando eu fazia um trabalho osso que ninguém sabia. Aí eu falava: ‘’Ah! Eu preciso ensinar essa galera, aqui, de 5s administrativo. Eu vou montar um treinamento’’. Olha! E eu montei o treinamento e eu ensinava as pessoas.

Na minha infância, eu brincava… sabe qual era a minha brincadeira?! Escolinha. Eu sempre fui a professora, eu não brincava de casinha. Entendeu? Eu brincava de escolinha.

RB: Quer dizer: já tinha alguma coisa lá atrás.

DL: Sabe do que eu brincava? Eu brincava de escritório. Eu tinha um escritório e eu ensinava, eu tinha uma lousa. Entendeu? Eu tinha um telefone, eu gostava de falar no telefone. E máquina de escrever… já fez um curso de datilografia?

RB: Não.   

DL: Mas você lembra da máquina de escrever… pelo amor de Deus! Ai que primitivo…

RB: Eu não lembro. O que é isso?

DL: Ai, eu vou dar na sua cara! Tá?

RB: Sabe uma coisa legal que você falou, agora?! Você brincava de dar aulas, como às vezes, a criança brinca de batucar ou alguma coisa e como, muitas vezes, os pais matam um talento natural, ali na infância. Se o seu pai tivesse falado: ‘’Para com isso! Que bobeira!’’, poderia ter matado. Né?

DL: Sabe… a galera se interessa. Então, por exemplo, você gosta de quadrinhos, tem gente que gosta de ler, gente que gosta de escrever, tem gente que gosta de casinha. Entendeu? Tem gente que gosta de cozinhar.

Os meus sobrinhos, por exemplo, eles ficam brincando de panelinha. Os meninos, assim…

RB: Então, pais, prestem atenção, pais que estão assistindo a gente. Muito provavelmente, o que o seu filho está fazendo, hoje…

DL: É o interesse. É o interesse genuíno. Ele se interessa.

RB: E se esse talento for morto, agora, talvez ele grude numa outra área que tenha nada a ver com ele.

DL: E a vida é tão curta. Né? A vida é tão curta.

Se liga nisso! São insights!

RB: Se liga, hein! Dá… põe insumos, aí, para crescer.  

DL: Então, é respondendo a sua pergunta. Né? Essa dica: é você se conhecer.

RB: É se autoconhecer e fazendo é que você vê… enxerga luzes.

DL: E aí você vê o que as pessoa enxergam, também, de você. Então, perguntem para os seus amigos, perguntem, assim…

RB: Sou bom em que?

DL: É, me fala um ponto forte que você vê em mim e pessoas de círculos diferentes. De repente, uma comunidade que você vai, a galera do seu trabalho, os seus vizinhos, o porteiro do seu prédio, todo mundo tem uma opinião a respeito, alguém enxerga algo.

Rafa… gente… os pontos fortes e fracos, – todos nós temos fracos, também, hein – eles estão tatuados na sua testa. Todo mundo vê, mas o quão difícil é para gente enxergar. Por isso que a gente precisa desse feedback. Entendeu? Da resposta do outro.

Então, assim, quanto mais você tiver…

Então, vamos lá! O passo número um é se conhecer.

Passo número dois é: tomou uma decisão?! Experimenta, cara! Não tenha medo, vai lá! Entendeu? Vai e faça.

Aí a disciplina de fazer acontecer. O que é disciplina?

É você lidar com os fatos difíceis, pragmáticos, é você fazer o sacrifício que for necessário para você concretizar o que você quer. Entendeu?

Não pensa que vai ser baba de você alcançar. Hoje a gente está lá em um palco e você está na televisão. Né?!

Você está em um palco, um monte de gente, as pessoas pagam para ver você, pagam para ler o seu conteúdo, mas nem sempre foi assim. Né?!

Então, assim, você, naquele momento difícil, fala assim: ‘’Pô! O que eu quero é realmente isso. Eu vou testar, eu vou tentar, eu vou!’’ e aí você ter a disciplina de fazer acontecer e vai.

E, gente.. não deu certo? Ué, qual é o problema?

Uma das coisas que foi um fator decisivo para mim, para eu decidir/demitir, eu falei assim: ‘’Estou imaginando eu bem velhinha e estiver em uma entrevista com alguém e contando. Daniela, olhe para trás e veja a sua vida’’. Mesmo que tivesse dado tudo errado e eu falasse que foi a pior cagada… foi uma merda o que eu fiz de tomar aquela decisão e sair da empresa…

RB: Pode falar… cagar, pode falar! Uma merda… tranquilo.

DL: Eu precisava vivenciar esse negócio. Entendeu?

Eu falei: ‘’Eu quero contar mesmo que seja errado’’.

RB: É a sua escolha, não é a escolha dos outros.

DL: É, mesmo que dê errado. Entendeu?

Isso vai, às vezes, em um relacionamento, também.

Você fala assim: ‘’Eu vou casar com essa pessoa. Eu vou me juntar, mas ela me irrita profundamente, mas eu não sei se é a pessoa certa’’. Nunca vai ter a pessoa certa, hein. Tá?

Aí você fala: ‘’Eu vou arriscar!’’ mesmo que, sei lá, em algum momento, não dê certo, mas eu prefiro me arrepender de ter arriscado e ter feito, fazer valer…

RB: Do que não ter feito a escolha..

DL: Do que falar assim: ‘’Ai, mas eu fiquei com medo, fiquei com medo, mas eu fiquei com medo’’. Tá?

Então, assim, uma outra coisa. Nem todo mundo se realiza no trabalho, hein! O trabalho é só um trabalho, Rafa. É só um busão. A empresa não é a sua vida. Essa empresa é só um busão que você pegou viagem. Não confundam as coisas, sua vida é mais do que isso.

Então, assim, nem todo mundo se realiza no trabalho. Precisa trabalhar porque você tem conta, tem os outros compromissos, mas tem gente que se realiza em casa, tem gente que se realiza em um hobby, a minha amiga se realiza num origami, tem gente que se realiza com os filhos. Entendam que a vida tem uma dimensão muito mais ampla do que só a parte do seu trabalho. 

RB: O difícil, eu acho que é descolar a sua consciência com uma consciência coletiva. Para mim, acho que isso é sempre o mais difícil. Porque, muitas vezes, o coletivo diz: ‘’Você tem que ser isso, você tem que fazer isso’’ e esse ‘’tem que’’, ele é cruel. Né?!

Quando não é o seu ‘’tem que’’.

E outra pergunta, agora, oposta: Se você pudesse olhar para trás e visse uma coisa e falou: ‘’Putz! Aqui eu errei’’. Porque, pelo o que você falou, só foram coisas boas.

DL: É, a gente fica no que é bom…

RB: Dani, o que você teria feito de diferente?

DL: É… hoje eu olho para trás e vejo que eu demorei muito tempo para agir com mais humildade, eu acho que eu teria…

O que é ser humilde? É você pedir ajuda mesmo.

Então, às vezes, eu olhava e achava.. porque eu aprendi isso em casa, você tem que fazer, você vai e você engole esse choro e eu criei uma coisa, isso é muito forte, eu não sou assim. Sabe?

É possível que você chore. Sabe? Sem demonstrar uma fraqueza. Isso não é uma fraqueza e eu demorei para entender isso, Rafa. Eu me arrependo porque quantos rompimentos, muitas vezes, eu tive. Quantas cicatrizes eu tenho, hoje, no meu corpo, porque lá atrás não ter pedido simplesmente uma ajuda, não ter contado com um apoio. É.. sabe?

É isso que eu chamo de humildade.

RB: A gente pode não ser forte o tempo todo. Tudo bem.

DL: É lógico! Está tudo certo.

 Você sabe que quando eu… eu, também, uma outra coisa que eu trago comigo até hoje. Eu estou aprendendo a conviver com os julgamentos alheios. Então, eu estou fazendo as coisas, mas de coração. É tão louco porque há mais de oito anos, eu estou como colunista do Uol. Né?!
Então, todas as vezes, eu escrevo um texto e leio, releio e falo: ‘’Ai meu Deus! O que as pessoas vão achar?’’. Quando a gente vai na internet, só tem os corajosos virtuais. Né?!

O cara desce a lenha, nem o nome tem coragem de pôr, mas ele desce a lenha em você e eu me machucava muito com isso, muito.

Então, eu ficava assim: ‘’Ai meu Deus! Isso, isso e isso’’ e tinha uma vez ou outra que eu escrevia de coração e eu falava assim: ‘’Foda-se!’’.

RB: É. V ai embora!

DL: Foda-se o que a pessoa vai achar.

E eram um dos textos mais comentados, que as pessoas mais falavam. E eu comecei a fazer isso nas minhas palestras, eu comecei a fazer isso nas minhas aulas e foi exatamente esse click, esse período… e quando eu comecei a fazer as coisas de coração, sem me preocupar com o que as pessoas iriam achar, que eu tinha os melhores resultados.

RB: Porque era você, de verdade.

DL: Porque era eu. Então, se eu pudesse voltar atrás, eu falaria: ‘’Dani, começa mais cedo, filha! Vai, seja você mesmo!’’, porque é isso que conecta. Entendeu?

As pessoas percebem quando você está falando uma coisa de coração, quando você fala a verdade, quando você é um ser humano, que você acerta pra caramba e você erra, também. E quando você erra, você levanta, sacode e fala: ‘’Vamos!’’.

RB: É porque se você fala a linguagem de quem está te ouvindo que é gente, também..

DL: Exatamente. Entendeu?

Quem acerta a todo período? Não rola.

Então, se eu pudesse voltar atrás, isso é uma coisa que eu falaria para mim. Eu demorei muito tempo para me descobrir uma mulher assim. Né?!

E para descobrir que é legal, que está tudo bem. Né?!
Eu sou uma mulher como qualquer outra mulher e que eu tenho as minhas potencialidades, eu tenho os meus defeitos e tenho as minhas conquistas, tenho os meus tombos e todas as minhas cicatrizes e está tudo certo.

RB: Está tudo certo.

DL: Está tudo certo.

RB: Dani, foi um prazer ter você aqui no BalCast. Edição 49!

DL: Ainda bem que não é a nossa idade. Poderia ser a somatória da nossa idade.

RB: Poderia! Né?! É quase.

DL: Eu acho justo.

RB: Dani! Quem quiser te achar nas redes sociais, te acha por onde?

DL: Isso! É..

No Instagram, Daniela do Lago. Eu estou no Facebook, Treinamentos Daniela do Lago.

Tem lá no meu site, você pode se inscrever e recebe um monte de textos que eu escrevo sobre carreira.

RB: O site é: http://danieladolago.com.br/

DL: Meu nome é um nome curtinho, é fácil de lembrar.

RB: Tem mais coisas? É só do Lago?

DL: É só Daniela do Lago.

RB: Daniela do Lago?

DL: É. Esse é o meu nome.

RB: Nome curto.

DL: Pois é. E aí você tem os meus três livros. Posso falar deles?

RB: Deixa eu pensar se pode…

Pode falar dos três livros.

DL: Meu primeiro livro, olha, gente… Despertar profissional. Quem ele é? Ele tem 53 capítulos, ele tem dicas de comportamento no trabalho. Então, ele começa com dicas, assim: ‘’Como eu arrumo um trabalho? Qual busão eu escolho? Qual empresa escolher?’’

RB: Ele é bem sobre carreira mesmo. Né?!

DL: Carreira.

Para quem tá pensamento, para quem já está há bastante tempo, para quem quer sair, quem está no ‘’vai que’’, ‘’se que’’…

DL: É, isso mesmo. Ele tem uma sequência lógica. Então, ‘’eu entrei na empresa, meu colega é folgado, pediu um aumento, fui demitido, até o momento sabático’’, ele tem uma sequência lógica, o Despertar profissional.

RB: Não. Esse livro… fala o UP, agora.

DL: O UP tem 50 dicas para você decolar na carreira, ele tem 10 capítulos só para quem está em início de carreira. Só para quem está em início, só para mulheres. E foram capítulos legais de mulheres que foi pautado em pesquisa, exemplo: não são os filhos que impedem as mulheres de terem uma carreira de sucesso, são os maridos. 

RB: Uuuu… bombástica!

DL: Então, são 10 capítulos só para mulheres, 10 capítulos só para quem tem cargo de liderança… então, se você já está em um cargo de liderança, tem 10 capítulos para você e 20 capítulos para quem quer dar um UP.

Então, esse livro, também, você pode ler em qualquer ordem e qualquer sequência. E aí…

RB: Esse não pode falar.

DL: Não.

RB: Não, porque vai ser o assunto do nosso próximo BalCast.

DL: É mesmo?

RB: É. Sobre Feedback.

DL: Ah! Então, olha aí.

RB: Curtiu? Bom, se curtiu, você não pode perder, você tem que ver o próximo BalCast que a gente vai falar só sobre Feedback.

DL: Boa!

RB: Só sobre isso com a Daniela do Lago.

DL: Ai, legal!

RB: E para você me encontrar nas redes sociais, quem está me vendo pela primeira vez:

https://rafaelbaltresca.com.br/inicio/

E lá tem tudo. Tem Facebook, tem Instagram, tem…

Rafael Baltresca, também, é só Rafael Baltresca, não tem mais nada.

DL: Ah! Não tem mais nada?

RB: Não tem mais nada. Mais nada?! Tem o Baltresca! Como assim mais nada? Né?!
DL: Mais nada além, outros…

RB: E você acha todos os outros BalCast no site:

https://rafaelbaltresca.com.br/balcast/

Dani…

DL: ‘’Brigadão’’, viu?! Foi ótimo!

RB: Valeu! Foi show de bola! Você é nota 10! Muito obrigado por tudo isso.
DL: Ai que bom! Você também. O papo fluiu.

RB: Tenho certeza que o pessoal aprendeu um monte.

DL: Obrigada, gente! Um beijo para vocês!

Compartilhem! Mandem para os outros, se foi útil para você, manda para os outros.

RB: Curta, compartilha, inscreva-se e comenta aqui. Né?!
Se você teve um insight aqui, escreve que a gente vai ler.

DL: Até mais. Tchau!

RB: Valeu! Tchau!

 

Esse foi mais um BalCast, sua chacoalhada mensal! Aproveito e te faço uma pergunta: Você acha que é importante ter a transcrição inteira do BalCast? Se para você é legal, envie um e-mail para comunica@rafaelbaltresca.com.br . Para gente é muito importante saber disso!

Rafael Baltresca

Rafael Baltresca é palestrante, facilitador e hipnólogo corporativo. Atua desde 2004 como conferencista dentro e fora do Brasil.
Secured By miniOrange