BalCast #48 - Parte 2 - Entrevista com Ton Lucas - Rafael Baltresca

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BalCast #48 – Parte 2 – Entrevista com Ton Lucas

by  Rafael Baltresca

Hoje temos a parte 2 do BalCast com meu amigo Ton Lucas! Na segunda metade deste papo, o Ton nos fala um pouco mais sobre o mundo das técnicas cognitivas comportamentais, como essas técnicas agregaram no seu trabalho e, a “rixa” entre a área da psicologia e a hipnoterapia. Confira a entrevista épica!

Senhoras e senhores, menininhos e meninotas… Sejam todos muito bem vindos.

Eu sou o Rafael Baltresca…

Eu estou aqui hoje com um rapaz que mora em Fortaleza…

TL: Estamos aí…

RB: Estamos aqui hoje… Eu, Ton Lucas e você para mais um…

BalCast!!!

RB: Fala galerinha! Rafael Baltresca de novo aqui com o Ton Lucas, que é de São Paulo.

TL: Sou de São Paulo.

RB: Que nasceu em…?

TL: Bragança Paulista.

RB: Bragança… e mora em…?

TL: Em Fortaleza.

RB: É um menino do mundo.

TL: Eu sou rodado… mais rodado que aquele círculo da hipnose.

RB: Bom, então a gente está aqui para a segunda parte do papo, porque a primeira foi espetacular.

Coincidência… mesma roupa?!

TL: Olha só… coincidência…

RB: Vamos para a segunda parte do nosso papo com Ton Lucas.

TL: Vamos que vamos!

TL: É… O criador da TCC, como é conhecida, ele era psicanalista, né? O Aaron Beck era psicanalista e começou a estudar escalas de pacientes com depressão. Então, ele era um especialista em pacientes com depressão. E ele começou a perceber que a forma que os pacientes com depressão viam a vida… tinham erros de processamento.

Então, foi naquela época em que a cibernética começou a surgir mais… programas de computador… e começou a comparar estruturas de pensamento com estruturas de comunicação do computador, com a forma de processamento do Software de computador.

Então, ele viu o seguinte…

Chegava o paciente com depressão e falava assim:

– Ninguém me ama. Ninguém gosta de mim.

– Mas ninguém?! Quem são as pessoas que você convive? Será que ninguém mesmo, gosta de você?

– Não… o mundo todo me odeia…

– Mas… cara, o mundo todo é muita gente… existem 8 bilhões de pessoas no mundo, será que todas elas te odeiam assim?

E começou a jogar esses questionamentos para essas pessoas e elas viram: ‘’Não… mas pensando bem, minha mãe gosta de mim.’’, então já não é o mundo todo… olha só, alguém gosta de você.

Então, ele começou a perceber que a forma que essas pessoas viam o mundo tinham erros cognitivos. Começou a ver que as estruturas de pensamento dessas pessoas que geravam esses sentimentos ruins. Então, quando ele deixou a psicanálise de lado…

A gente pode falar: ‘’A psicanálise não presta… e criou a TCC…’’, né?

RB: Não funciona…

TL: Mas ele nunca falou isso.

Ele começou a perceber que as estruturas de pensamento, os pensamentos automáticos, pensamentos automatizados geravam uma alteração de sentimento que altera um comportamento. Então, essas são as primícias da TCC.

RB: Entendi. É como se um programa de computador tivesse um defeitinho de programação.

TL: Exatamente.

RB: Né? Ele está lá com uma variável desconexa. Assim começou com o ‘Alan Becker’…

TL: É… Aaron Beck. B-E-C-K.

RB: Aaron Beck! E ele é o teu ídolo?

TL: Ele está vivo ainda…

RB: Está vivo?

TL: Está com noventa e poucos anos, lá na faculdade da Pensilvânia.

RB: Duas perguntas…

É… vamos por partes.

Como que a hipnose pode ser integrada com isso? Porque eu queria que você falasse um pouco do seu TCC também, né?!

Você defendeu um TCC bem atípico na faculdade de Psicologia, que é falando de hipnose…

TL: A briga foi grande…

RB: É… então, quero saber disso!

Vamos começar por essa… vai! E aí?

Primeiro, a briga… o seu TCC, sobre o que é, como você integra e se você integra a hipnose com a Teoria Cognitiva Comportamental.

 

TL: Então… cara, no começo da faculdade foi essa briga toda.

Eu já estudava hipnose antes de entrar na faculdade, por conta de que eu trabalhava como instrutor de mergulho, então eu usava hipnose para algumas coisas lá. E comecei a aprofundar mesmo, no início da faculdade.

Cara, eu hipnotizava na faculdade e o pessoal assim ‘’para com esses negócios, você está banalizando a hipnose…’’, vinham os donos da hipnose na época e falavam: ‘’Olha, você está banalizando. Usando para formas que não são corretas…’’, eu dizia: ‘’Cara, existe um manual da hipnose dizendo o que pode e não pode?’’.

RB: Entretenimento barato…

TL: É… as pessoas não podem se divertir, sabe?!

RB: É coisa séria…

TL: ‘’Coisa séria… não pode!’’, então tinham essas coisas…

RB: Então você hipnotizava todo mundo lá?

TL: Eu saía hipnotizando as pessoas na faculdade. Eu estava praticando…

RB: Você chegou a hipnotizar um professor?

TL: Hipnotizei, cara…

Eram professores legais… ainda tinha um ou outro que falava: ‘’Pô! Esse negócio é bem legal. Deixa eu ver como é que é!’’ e beleza, no horário fora de aula, rolou. Inclusive a coordenadora do curso, uma vez, chegou e falou: ‘’Olha, eu queria pedir para você não fazer isso na faculdade porque está causando muito tumulto, está atrapalhando os corredores, as pessoas não conseguem passar.’’, porque eu começava e juntava uma roda de hipnose.

RB: É sério isso?

TL: ‘’Olha, você está atrapalhando o fluxo da faculdade…’’.

RB: Eles deviam estar loucos. Esse professores deviam estar… doidos!

TL: Ficavam doido, doido, doido… porque era algo muito novo. Então, o que aconteceu…

Falei: ‘’Cara, eu tenho que ganhar o meu espaço dentro da faculdade’’.

Depois de um tempo eu fui palestrar. Fui convidado a palestrar em uma Semana da Psicologia para falar sobre hipnose. Aí eu falei: ‘’Pô, legal! É uma oportunidade bacana’’.

RB: É uma abertura aí…

TL: Foi uma abertura.

E, cara… a palestra deveria ter sido 1h. A palestra durou quase três horas… o pessoal se empolgou, falou assim: ‘’Não… Vai… Vai que tem tempo. Pode usar! Vai embora…’’. Comecei a hipnotizar as pessoas… acabou e o pessoal ‘’Não, mas a gente quer mais!’’, foi bem legal. A gente fez um tratamento de fobia lá. Tinha um cara com aracnofonia. Nós pegamos uma ‘aranhinha’ de canto de parede, colocou na mão dele e… nossa! Cara, sensacional!

Esse cara, inclusive, foi na Fátima Bernardes depois com o Alberto.

A história foi louca! Depois eu conto para não sair muito do foco…

RB: Beleza, vamos lá! Estamos chegando no TCC.

TL: Então, beleza.

Comecei a ganhar esse espaço dentro da faculdade. As pessoas começaram a ver que eu estava trabalhando de forma séria… meu trabalho com a dentista… meu trabalho de clínica… viu que estava dando cursos… eu ia em programas de televisão dar entrevista sobre hipnose… estava dando palestra…

Isso, meio que foi ajudando os professores a olhar: ‘’O Ton tem um trabalho sério com esse negócio…’’.

RB: Isso na faculdade em… Fortaleza?

TL: Em Fortaleza.

RB: Onde você fez?

TL: Na Maurício de Nassau.

RB: Tá bom.

TL: E… o que acontece?!

Quando chegou nos últimos semestres, eu falei para a professora orientadora do estágio de TCC, ‘’Olha… eu quero fazer o meu TCC sobre hipnose…’’. Ela falou: ‘’Que legal! Eu topo!’’, então ela comprou a briga e disse: ‘’Beleza, vou fazer!’’, inclusive já tinha tido experiências com hipnose antes, tinha vindo para São Paulo fazer um curso, achou que o curso foi uma merda. Ela fez um curso que não gostou, o cara falou umas coisas que ela já não curtiu muito…

RB: De quem foi o curso??? Queremos saber!!!

TL: Nunca direi! Nunca direi! A gente fala em off…

RB: Tá bom.

TL: E assim… ela falou que… mas ela gostou da ideia e falou assim: ‘’Bom, eu acho que isso, ensinado de forma correta, deve ser bacana.’’ e nas conversas que tive com ela, foi bem legal e ela topou.

Aí eu fiz um TCC que o tema era ‘’Terapia Cognitiva Comportamental e Hipnose: Interfaces da Atualidade’’, e qual foi a proposta dele…

Resgatar a história da hipnose, desde a época do Mesmer até os mais atuais, Elman e Erickson… passando para a questão de como era visto… uma coisa mística e como ela passou a ser científica, passou pelo Freud… então, a ideia era atualizar o discurso do psicólogo falando que a hipnose não presta. Então, tirar esse discurso e colocar um novo.

Eu justificar o por quê os psicólogos tinham esse discurso e falar: ‘’Olha… não é bem por aí! Vamos ver o real motivo…’’. E disso tratou o meu TCC.

 

Então, passou por esses motivos que o Freud abandonou a hipnose, como foi a Era Pós-Freudiana da hipnose e como ela agregava junto com as técnicas da TCC.

RB: Entendi… aí que entrava a TCC.

TL: Daí entra a TCC. Eu fiz um resgate histórico da TCC, explicando o que é e como ela funciona e um capítulo de hipnoterapia cognitiva, que é a hipnoterapia junto com as técnicas da Terapia Cognitiva Comportamental… como que elas casam juntas.

Eu tive que focar em uma abordagem, mas eu deixei bem claro que a hipnose não é usada só com a TCC… ela pode ser usada com qualquer abordagem, inclusive, psicanálise. Entendeu?

Então, dentro de qualquer abordagem, a hipnose pode encaixar. Porque a hipnose não é uma abordagem terapêutica, é uma ferramenta. Não existe uma linha… uma corrente… da hipnose. Não, ela é uma ferramenta. Então, você pode usar ela na Gestalt, no humanismo, na psicanálise, nas comportamentais…

RB: Isso… a própria regressão de idade, como você falou, que veio da psicanálise… se você utilizar a emoção para fazer o guia… você está usando Gestalt sem saber, né?

TL: Sim…

RB: Então, tem um monte de coisas acontecendo e não é puramente da hipnose. Até mesmo PNL, que muita gente diz: ‘’Ah, não… PNL salva tudo…’’, aí você fala ‘’amigão, o que da PNL é da PNL?’’, você vê que tem um monte de coisa emprestada de um monte de lugar…

TL: Inclusive da psicologia. O Richard Blander fala mal da psicologia, hoje em dia. E é psicólogo, formado em psicologia.

RB: Legal…

TL: Então, o que acontece…

RB: Eai?Defendeu o TCC?

TL: Defendi o TCC, foi aprovado.

RB: Foi agora, né? Faz uma semana…?

TL: Foi agora, dia…

RB: E como é que foi o processo? Você fez uma palestra? Você defendeu… a banca… como é o processo de… eles leram?

TL: Eles leram o artigo…

RB: E depois…

Porque eu fiz engenharia, né? Sou formado em engenharia. E para gente não tem TCC… chama TG, o nosso. É Trabalho de Graduação. E na engenharia é assim… na prática… quero ver funcionar.

TL: Cria aí uma nave espacial, vai…

RB: É, quero ver a ‘birosca’.

O processo para a banca. Você chegou para hipnose… e aí? Como é que…

TL: Então, os professores que eu convidei, uma delas já tinha feito curso de hipnose comigo.

RB: Com você? Ah… então, foi fácil. Já estava hipnotizada já…

TL: É, comigo. A orientadora foi ‘super de boas’. “Não é essa que eu vou comprar briga”. O outro professor, que também é da cognitiva comportamental, aquela coisa… não é contra nem a favor, falou: ‘’Vamos lá ver como é que é’’, com a cabeça aberta, então, eu escolhi bem os professores da banca. Eles leram o artigo, gostaram… e a apresentação foi trinta minutos, inclusive eu gravei ela inteirinha. Talvez, eu disponibilize…

RB: Pode ou não pode?

TL: Pode. Claro que pode.

RB: Então, vamos lá…

TL: Eu ainda não coloquei. Talvez, eu solte no canal. Estou fazendo uma série que um hipnólogo aqui de São Paulo me deu uma dica. Estou fazendo… já gravei o primeiro vídeo…

RB: Como vai chamar?

‘’Ton Lucas: TL TCC…’’

TL: TLCC…

RB: Ton Luca ca ca cas…

TL: É, então… eu fiz um primeiro vídeo. Vão ser… uma série de três vídeos, talvez, quatro.

Um falando sobre a história da hipnose… um falando sobre o que é TCC… e um juntando as duas, que são, justamente, as partes da estrutura do artigo.

RB: Legal.

TL: Então, eu vou disponibilizar o artigo… assim que ele for publicado em uma revista… não soltei ainda porque não está registrado… para evitar plágio, ainda não disponibilizei publicamente.

RB: Mas logo, logo estará aí…

TL: Vai sair essa série de vídeos e talvez, o quarto vídeo seja a apresentação, na íntegra, da defesa. Então… vai ser bem legal.

RB: Você chegou a desenvolver, nesse processo, alguma teoria nova ou uma prática nova, utilizando a hipnose e a Teoria Cognitiva Comportamental, que você hoje usa… quer dizer, nesse tempo… porque para você fazer o TCC foram… o que… quantos meses?

TL: Um ano.

Rb: Um ano de trabalho, né?

Você criou algum tipo de abordagem diferente?

TL: É… primeiro que assim… como é um curso de graduação, a gente não tem a liberdade de criar. Então, assim, até no artigo eu tinha que usar referência a alguma coisa.

RB: Mas te contratam para terapia… você está lá… você fez muitas terapias esse ano… deu um insight de falar ‘’vou trazer.’’…

TL: Muitos…

Inclusive, tem pacientes que eu deixei de hipnotizar para usar técnica de TCC, porque eu via que, no momento, seria mais útil. Porque… o que acontece…

Tem muita gente que chega na clínica com um mindset assim: ‘’Eu estou doente da cabeça… eu vou lá no cara da hipnose, que ele faz uns negócios, joga um pó de ’pirimpimpim’, fala um ’parangolê’ e eu vou acordar sendo uma nova pessoa.’’, parece que a sugestão vai entrar, clicar um botão e pronto… você está curado… e, enfim, chegam com esse mindset.

Eu passei na primeira entrevista, antes de qualquer coisa… eu fazia uma entrevista motivacional com essa pessoa, que é uma técnica da TCC… que chama de entrevista motivacional para descobrir até que ponto essa pessoa quer ou não mudar.

Sabe aquela pessoa que chega ‘’ah, eu vim aqui para deixar de fumar’’, você começa a fazer várias perguntas…

RB: Porque minha mãe me mandou vir aqui…

TL: No final das contas… ‘’eu estou aqui porque a minha mulher detesta cigarro’’.

RB: Entendi…

TL: ‘’Mas se fosse por mim eu continuava fumando…’’.

Esse é um cara que talvez pare de fumar na frente da mulher e continue fumando escondido porque, para ele…

RB: E a hipnose não vai funcionar para nada.

TL: Para nada… e tem terapeutas que não ligam para isso… ‘’ah, você quer parar de fumar?’’, então eu vou deixar de parar de fumar… aí vai lá, faz o negócio… o cara continua fumando… e depois fala assim: ‘’A hipnose não funciona…’’.

RB: Mas uma simples pergunta: ‘’Você quer, realmente, parar?’’, às vezes, não funciona?

TL: Não.

RB: Então, essa… como você falou… a entrevista motivacional…

TL: Não é que eu vá motivar… mas é uma entrevista para entender o nível de motivação interna daquela pessoa.

RB: Entendi.

TL: Entendeu?

Óbvio que nessa conversa você pode jogar alguns pontos de argumentos para que ele se motive. Entendeu? É como se eu estivesse convencendo a pessoa a fazer aquilo… mas não é bem convencer, porque não sou eu que preciso que a pessoa mude… é ela que precisa querer mudar.

 

RB: E mesmo porque a mudança dela não pode passar pelo seu julgamento… se deve mudar ou não…

TL: Exatamente. Então, a entrevista serve para isso… para ver até que ponto a pessoa vai ou não… ela vai ponderar. Tem uma outra técnica bem legal da TCC, que é o exame dos prós e contras, em que a pessoa vai colocar todos os prós e contras de fazer aquela mudança. Então, ela vai colocar… como se fosse uma balança… e ver…’’poxa será que vale a pena mudar?’’.

Porque as pessoas querem mudar e acha que a mudança é fácil. A mudança nunca é fácil.

RB: Que não vai ter uma consequência… e que… mudei isso e tudo continua igual. Não!

TL: Não. Vai mudar tudo. É uma série de coisas…é tipo efeito borboleta… você vai mudar uma coisa que vai mudar várias coisas na sua vida…

RB: Claro…

TL: Você tem que ver se a pessoa não está tendo ganhos com aquele problema que ela tem. Então, às vezes a pessoa tem depressão e a mãe passou a dar mais atenção.

RB: Então, o ganho secundário está espetacular.

TL: É.

RB: E se ela para de ter depressão, talvez, ela pare…

TL: Eu vou parar de ter aquela tensão que eu tenho…

RB: Entendi. É uma análise do pós…

TL: Tem que ser uma análise funcional… uma análise do todo. É entender que o sujeito… ele é biopsicossocial. Tem que entender essa visão de homem que a psicologia tem… entender que todos ser é biológico…

RB: Genética.

TL: Genética… Doenças biológicas, quando essa pessoa está com vírus, uma bactéria, câncer… não é a hipnose que vai resolver.

Então tem o bio, tem o psico, que é o psicológico e o social, que é o meio onde a pessoa vive.

Então, essa pessoa quer mudar alguma coisa, mas o ambiente em que ela vive é totalmente doente.

Isso a gente vê muito em atendimento com criança. Às vezes, os pais levam… ‘’olha, meu filho está destruindo a casa’’… ‘’meu filho está muito agressivo’’… mas como é o convívio dos pais?… ‘’’ah, a gente vive brigando e sai no tapa na frente da criança’’…

Opa, então espera aí, não adianta eu tratar a criança… eu tenho que conversar com os pais também.

RB: E a TCC trabalha isso…

TL: Trabalha isso. Então, existem várias técnicas… a TCC tem técnica para tudo… tem protocolo para um monte de coisas… ela é a única abordagem que tem protocolos de atendimento.

Então, se você tem, por exemplo, depressão e ansiedade… você tem um guia, que não é engessado…

Muita crítica que a TCC recebe das outras abordagens é isso…’’Ah, eles são muito engessados. Eles tem um plano de tratamento’’ e não é bem assim, né?

Você tem um guia para onde recorrer, mas ele pode ser alterado, de acordo com a demanda.

RB: E você trouxe isso da hipnose?

TL: E eu fui trazendo isso para a hipnose… pegar esses meios, esses protocolos e colocar a hipnose para dar uma acelerada no processo.

RB: Então, você virou um hipnotista turbinado agora…

TL: Turbinado.

RB: Ou um psicólogo turbinado. E ai? Você vai se vender como, agora?

TL: Continuo como hipnoterapeuta…

RB: Mas com a chancela da psicologia cognitiva comportamental…

TL: Exatamente…

RB: A segunda pergunta que eu iria fazer… iria não, que eu vou fazer para o Ton Lucas é a seguinte…

Quantos anos de faculdade, hem? Quatro anos? Cinco?

TL: Cinco anos…

RB: Quando que você acha e se você acha que a hipnose tinha que entrar na faculdade de psicologia?

Você acha que é necessário…?

TL: Completamente…

RB: Para começar… você acha que sim ou não?

TL: Acho que sim. Eu acho que deveria ter.

RB: Ela teria o seu lugar lá?

TL: Ela teria o seu lugar lá. Até porque tem cadeiras… disciplinas que a gente faz de processos psicológicos. Dentro dessa cadeira, seria excelente colocar a hipnose… inclusive, algumas pessoas até comentam alguma coisa, mas por falta de conhecimento, passam meio batido. É  disciplina que a gente vai ver sobre percepção, memórias, sensações, atenção… Então sobre esses tipos de processos… sonhos… como que eles acontecem…

Então, essa parte caberia muito bem a hipnose e assim… talvez, seja muito da minha pretensão… uma disciplina apenas de hipnose. Porque seria legal… tem muita coisa para ser falada… ajudaria…. caberia… tem muita coisa para ser falada…

RB: Talvez, uns seis meses.

TL: É, então… é uma disciplina de seis meses.

Se bem que seis meses… seria legal!

Teve uma faculdade de Fortaleza, em que houve uma época, que tinha uma disciplina optativa de hipnose…

RB: Em Fortaleza?

TL: Fortaleza. Tinha lá uma disciplina optativa, mas por falta de procura dos alunos, ela deixou de existir.

RB: Ah, não… é sério?

TL: Mas porque eles chegavam… ela tinha pré-requisitos, tinha que ter feito todas as disciplinas antes… Só que essas disciplinas antes…

RB: Massacra…

TL: Cara, porque eu vou fazer uma disciplina… que nem obrigatória é… que nem os professores gostam. Pra quê?

Então, parou de ter.

RB: Hoje seria diferente né?

Porque teve um boom da hipnose…

TL: Teve…

RB: A pessoa entra na faculdade de psicologia, que falem que não funciona… falem que não existe… ele já viu um monte de vezes na internet… alguma coisinha tem, né?

TL: Cara, hoje em dia, teve essa…

RB: O que falta, hem, para a hipnose entrar na faculdade?

TL: Cara, falta… assim… está sendo um trabalhinho de formiga, né?

Esse TCC que eu fiz… esse artigo foi assim ‘’vou colocar ela nas revistas científicas de psicologia…’’, por ser um artigo científico, eu posso… é diferente de escrever um texto na internet e jogar lá. Agora seria muita pretensão falar que o artigo vai mudar isso. Só que quanto mais artigos forem surgindo com essa temática… cara, bizarro!

Quando eu fui pesquisar, eu coloquei lá na Scielo e no Google Acadêmico… eu coloquei: Hipnose – Terapia Cognitiva Comportamental… sabe quantos resultados deram?

RB: Zero…

TL: Zero. Zero resultado…

RB: E só de hipnose?

TL: Só de hipnose tem vários… só de hipnose você encontra assim: hipnose utilizada em casos de ansiedade… hipnose junto com a TCC em casos de depressão…

RB: Querer misturar tudo… querer misturar é muita ousadia.

TL: É muita ousadia. Não tem…

Então, esse é o primeiro, nessa linha… e depois que eu publiquei, que estava fazendo esse artigo… muita gente começou a me procurar e falar: ‘’Ton, legal a ideia. Eu vou fazer alguma coisa nesse sentido, também… me ajuda… me manda seu artigo que eu quero ler…’’, então, que isso sirva de inspiração para várias outras.

Então, quando começar as faculdades de psicologia, bombardear artigos de hipnose… eu creio que alguém lá em cima vai olhar e falar: ‘’Olha… tem alguma coisa acontecendo aqui…’’, talvez, isso seja um passo para algumas faculdades terem essa chance… mas aí precisa do MEC… vai inventar umas questões burocráticas…

RB: Claro… então, indo para essa questão mais burocrática e esbarrando em uma questão mais política… em uma das entrevistas que eu fiz, o entrevistado disse que o mercado… o mercado não… as indústrias farmacêuticas  estariam em oposição… no sentido de… ‘’vão tirar o nosso trabalho porque a hipnose é muita rápida e faz a pessoa não precisar de remédio’’. Você acha que é muita pretensão?

TL: É… então… eu não até que ponto isso é verdade, até que ponto isso é teoria da conspiração… entendeu?

RB: Porque você já ouviu muito disso…

TL: Ouvi muito…

Assim, nos Estados Unidos tem muito e a indústria farmacêutica domina até os planos de saúde lá. Eles tem uma pretensão… um poder muito grande lá. Eu não sei como que funciona aqui no Brasil… mas acredito que ela seja bem forte sim… e ela teria esse poder, talvez, para dar uma barrada.

Se entrar em uma discussão política, talvez, com certeza, eles vão querer comprar essa briga… de vetar.

RB: Estou achando que você está sendo político agora…

TL: Cara, eu não sei… eu não me envolvo em questões políticas porque não fico atrás de saber…

RB: Ou você acha que o hipnólogo, ele é muito pretensioso de achar ‘’não, a gente resolve tudo… se tiver um milhão de hipnólogos no mundo, não vai ter mais remédio… não vai precisar de médico mais…

TL: Quem fala isso… fala umas besteiras tão grandes. Porque o que acontece…

Eu concordo que, em muitos casos, o medicamento poderia ter sido evitado… muitos. Principalmente com criança… a criança sai correndo… taca ritalina nela porque isso é TDAH…

RB: Mete um rótulo nela, ritalina

TL: Mete um rótulo… ritalina… a criança está chorando demais, coloca uma fluoxetina nela…

RB: E a gente sabe que um bom atendimento terapêutico nos pais… para os pais… seria uma alternativa de falar: ‘’Amigão… a sua filha precisa de atenção. Ela precisa de pai e mãe em casa e não de ritalina’’.

TL: Isso… e não de remédio. O remédio não é o terapeuta.

Agora… tem muitos casos que a medicação, sim, ela é necessária. Em casos de psicóticos, por exemplo… cara, eu já atendi vários tipos de psicóticos… de esquizofrênicos… ele precisa de medicação, não tem para onde correr. Porque tem casos que as pessoas vão chegar em uma estado em que elas não conseguem se mexer. Por exemplo, um caso de depressão profunda… cara, pode tacar a hipnose que for, terapia que for…. se não for com regulador de humor,  um carbolítio, uma quetiapina, um fluoxetina que seja… não vai tirar a pessoa da cama para que ela vá buscar uma terapia. Então, às vezes, em casos extremos, são necessários sim, uma medicação. Coisa que eu vejo muito hipnólogo falando assim: ‘’Medicação é besteira. Se tivesse hipnose não ia precisar disso.’’, cara… precisa sim, porque se não fosse a medicação…

RB: Uma junção né, Ton?

TL: Uma junção…

E esse discurso, ele é da própria psicologia… A própria psicologia fala isso…

A psicologia concorda que os psiquiatras entopem as pessoas de remédios, desnecessariamente… mas, também, concordam que em muitos casos é necessário. Senão, a pessoa não se mantém na terapia.

RB: Exato… exatamente. Então, assim… você defende a junção? Eu creio que sim…

TL: A junção do equilíbrio. Assim, para mim, o mais importante é a qualidade de vida. Se a pessoa tem uma qualidade de vida tomando remédio… ótimo! ‘’Ah, eu gosto de me entupir de remédio. Isso, para mim, está bom!’’.

Agora, aquelas pessoas que chegam assim… ‘’Eu não aguento mais remédio. Esse remédio está me dando vários efeitos colaterais. Estou gastando muito dinheiro. Estou me tremendo…’’ – porque tem muitos remédios que dão efeitos colaterais, extra piramidais, que geram muita tremedeira. Não consegue dirigir… não consegue fazer nada. Está gerando um prejuízo, mais do que benefício… a gente pode, sim, vir à terapia, seja com hipnose, psicologia ou o que for… você dá um equilíbrio para que a pessoas, aos poucos, consiga se manter por conta própria e o psiquiatra fazer um desmame, ou eliminar completamente o remédio ou diminuir a quantidade.

Se ela falar assim: ‘’Olha, agora eu estou me dando melhor, tomando uma quantidade mínima de remédio.’’, ótimo.

RB: Está tudo bem.

TL: Sempre, eu atendo uma pessoa visando a qualidade de vida dela, seja com ou sem remédio. Se ela falar: ‘’Quero largar esse negócio. Eu não quero mais’’, ótimo, beleza… nós vamos trabalhar para isso, porém, não é o hipnólogo, nem o psicólogo que vai tirar o remédio… tem que ser o psiquiatra.

RB: Tem que ser médico?!
TL: Tem que ser médico. Então, a gente não pode… e eu já vi terapeutas falarem assim: ‘’Não. Eu vou te atender. Para de tomar remédio.’’… cara, isso é a pior besteira que a pessoa pode fazer. ‘’Ah, não. Para de tomar remédio porque você não vai precisar a partir de agora’’.

RB: Não…

TL: Cara, não… Isso é antiético… cara, não pode fazer isso. Nem um psicólogo pode fazer isso, quanto mais um hipnoterapeuta.

RB: Quem vai segurar essa bucha depois, né?

TL: Pois é…

RB: Ton, você tem o curso… que você estava falando comigo agora a pouco tempo. Tem um curso novo até, que vai ser lançado. Fala um pouquinho do curso para gente e quando é que você vai lançar. Porque vai ser um curso de terapia clínica… mas diferenciado, né?

TL: Vai ter um diferencial. É um curso chamado ‘’Psicologia aplicada à hipnose’’, que vai ser um curso de hipnoterapia… hipnose clínica, com o olhar da psicologia. Então, ele vai ser um curso avançado… ele vai começar com as pessoas já sabendo hipnose. Não vai ter aquela parte de ensinando indução… o que é hipnose… como fazer um pre-talk… sabe? Isso não vai ter porque as pessoas já vão lá… bom, vocês já sabem o mínimo, colocar em transi, fazer indução, aplicar sugestões…

RB: Daqui para frente…

 TL: Vai ser daqui para frente…

Então, a gente falar sobre abordagens da psicologia, o que é cada uma delas, o que é psicanálise, o que é Gestalt, o que é ACP, psicodrama, Behaviorismo, TCC… explicar a diferença… aliás, como cada uma enxerga o ser humano… as diferenças entre elas… como cada uma utiliza a hipnose dentro dos contextos.

Óbvio que eu vou focar mais na TCC porque é a área que eu mais estudo. A gente vai falar sobre psicopatologias – porque, às vezes, as pessoas chegam rotuladas por médicos e psiquiatras, assim: ‘’Olha, eu tenho TAG… e eu tomo rivotril’’. Os terapeutas falam: ‘’Cara, não sei o que é rivotril e eu não sei o que é TAG… o que é TAG mesmo?’’. Não sabe…

Então, a gente vai falar sobre o que é TOC, o que é TAG… Transtorno de Ansiedade Generalizada… a diferença disso para fobia… o que é uma fobia social… o que são as classificações dos transtornos mentais… transtorno de pânico… a diferença entre um ataque de pânico e um transtorno de pânico, que existe a diferença e, muitas vezes, as pessoas não sabem o que é. O que é uma depressão… qual a diferença apenas da depressão para o Transtorno de Humor Bipolar, que tem aquela avaliação entre fases de depressão e de mania. As pessoas acham que bipolar é aquela pessoa que acorda feliz da vida e chega no final do dia… ‘’Nossa, que pôr do Sol triste. Nossa, fiquei melancólico.’’…

RB: Bipolar…

TL: É… acha que bipolar é isso… eu mudei meu humor durante o dia, então, acho que é isso. Não é. Está longe de ser isso. Então, a gente vai explicar o que são essas coisas… modelo cognitivo de Aaron Beck… como que a gente usa isso dentro da terapia com hipnose e várias outras coisas… fora as técnicas que a gente já conhece de hipnoterapia, né?

Sempre focando na origem dela… a questão de regressão, sensibilização sistemática – que é do behaviorismo… técnica da cadeira vazia – que é da Gestalt… regressão – que é psicanálise. Então, essas coisas que eu vou ensinar, essas técnicas…

RB: #triste #chateado…

Os hipnólogos vão sair de lá… chateados.

TL: Não, mas eles vão sair assim… caramba!

RB: Ou felizes né?

TL: Ou felizes… entendeu?

Cara… o que está por trás?

RB: E poder falar com autoridade…

TL: O que a teoria…

Exatamente. E ter uma base teórica para entrar em uma discussão. Porque tem hipnólogos que vê um psicólogo, já abaixa a cabeça… ‘’Ai meu Deus… lá vai ele me xingar e eu não sei argumentar… não sei contra argumentar’’ e fica aquela quebra de braço… um diz: hipnose não presta!… o outro: psicologia não presta!… e fica aquela coisa… tá, mas cadê os argumentos? Cadê o embasamento científico disso? Então, eles vão sair de lá com isso…

RB: Quem quiser saber mais desse curso ou conhecer mais o seu trabalho, onde que o pessoal entra? Site… YouTube…

TL: Para saber a agenda de cursos é: www.comonhipnotizar.com.br, já vai direto para a agenda de cursos. O primeiro curso dessa vai ser dias 18 e 19 em Curitiba.

RB: 19 de…?

TL: De agosto, 18 e 19 de agosto, em Curitiba, vai ser a primeira turma nacional desse curso. Depois, 1 e 2 de setembro tem em Fortaleza.

RB: E se você está ouvindo isso aqui em 2035, ele entra onde?

TL: Aí entra no… www.comohipnotizar.com.br, que vai para a agenda completa de cursos.

RB: Ou procura… Wellington Lucas ou Ton Lucas.

TL: Meu codinome da psicologia.

RB: Entre em Ton Lucas e te procura aí no YouTube.

TL: Aí tem tudo… YouTube, Instagram – tem muita coisa que estou postando no Instagram, inclusive, que não está indo para o YouTube.

RB: Além de fotos só de sunguinha…

TL: Além de fotos enchendo a cara na praia…

RB: Tem coisa lá legal…

Muito bem! E aí? Curtiu o papo? Eu adorei!

Curtiu o papo, Ton?

TL: Gostei demais.

RB: Cara, muito obrigado por ter vindo diretamente de Fortaleza, aqui para São Paulo.

Eu sou o Rafael Baltresca, se você quiser ouvir outros poldcasts é só entrar em:

www.balcast.com.br

É transmitido por poldcast, vídeocast no meu canal no YouTube, Rafael Baltresca… e texto, também… se quiser ler, está lá no meu site www.rafaelbaltresca.com.br

TL: Deu um livro esse papo aqui…

RB: Deu um livro.

Para você conhecer minha agenda de palestras pelo Brasil e empresas, você também me encontra no www.rafaelbaltresca.com.br.

Cara, o que falar desse papo?

Sei lá… foi show! Foi um papo fodástico!

Tenho certeza de que você que ouviu até o fim, está feliz aí.

TL: Obrigado por ter ouvido até aqui.

RB: Muito bem. E se você ouviu, de verdade, escreve aí no final:

#hipnofelizes… só para saber se você ouviu até aqui. A Luana Walker fará… com certeza!

Um beijo para a Luana.

TL: Beijinho, Lu!

RB: Nos vemos, então, até o próximo… BalCast!

Até mais galera… falou!

TL: Até mais.

RB: Tchau!

 

 


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Rafael Baltresca

Rafael Baltresca é palestrante, facilitador e hipnólogo corporativo. Atua desde 2004 como conferencista dentro e fora do Brasil.
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