BalCast #47 - Entrevista com César Melo - Rafael Baltresca

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BalCast #47 – Entrevista com César Melo

by  Rafael Baltresca

Hoje estou aqui com o cara que é o ‘’Top das galáxias’’, o tradutor mais espetacular do universo… César Melo!

Cara, que felicidade ter aqui, neste BalCast, a sua pessoa que veio fazer mais um trabalho, né?

Amanhã começam três dias de trabalho e eu consegui te raptar aqui.

Vou falar uns quinze segundos só, porque eu gosto tanto desse cara aqui e quero que ele conte mais da história dele.

O César trabalha como intérprete e tradutor, que são duas coisas diferentes, e… Em quantos idiomas?

CM: Quatro idiomas. Inglês; Português; Espanhol e Italiano.

RB: Com certeza, pelo o que fiquei sabendo, quando você era pequenininho já viajava para o mundo inteiro, né? Com dez anos, com uma família rica…

CM: Quem me dera… Filho de diplomata, né?

RB: Hoje, o César Melo é o cara mais requisitado que eu conheço no meio que eu estou inserido, que é nos Congressos de Hipnose para traduzir. Já traduziu dezenas. Não sei quantos você já traduziu.

Cara… Já traduziu muita gente.

CM: Sim.

RB: E, uma coisa legal, todo mundo que trabalha com o César, não sei se foi coincidência mas acho que não, todos os eventos que eu estive, no final eles param para te homenagear. Isso é muito legal! Porque, teoricamente, o intérprete é uma pessoa que deveria estar invisível. Não é?

CM: Sim.

RB: Porque o palestrante fala , você traduz e quem está lá esperando a palestra, está ouvindo como se fosse um Google automático. Então, teoricamente, você fica em uma ‘’cabaninha’’ invisível.

CM: Em uma cabine.

RB: Uma cabine, não em uma cabana.

CM: Uma cabana seria legal.

RB: Nunca traduziu índio?

CM: Já interpretei índio…

RB: Só que não. Eles não te deixam invisível. Eles querem te saudar, inserir-te. Dá para ver o quanto você é querido e também como o seu trabalho é especial, porque não é simplesmente uma tradução do tipo, eles falam , esperam um pouquinho e você traduz. Não é assim. É uma tradução simultânea. Eles estão falando em inglês, italiano, javanês e você está traduzindo português.

Pelo o que eu vi, é um trabalho extremamente estafante, porque você não para.

CM: Eu diria, Baltresca, que é mais do que estafante, acho que é desafiador. Porque se você para e pensa no meu trabalho como estafante, ele torna-se. Agora, quando você olha para ele e vê desafiador, ele também torna-se desafiador. Eu sempre digo que há um desafio maior. Imagine, por exemplo, eu vou interpretar o Rafael Baltresca, que tem quase ou mais de vinte anos com hipnose.

RB: Não. Dez!

CM: Meia década! Uma década de hipnose, né?

Então, eu tenho que pegar a informação que está na cabeça do Rafael Baltresca, dos seus dez anos de hipnose, não sei quantos shows e, enfim, tudo que você já fez e, transferir isso para a cabeça do nosso amigo Lucas, que é um cara que entende e conhece de hipnose, porém ele não é um especialista no assunto, mas ele conhece muito do assunto também. Muitas vezes, o Lucas é um especialista. E o Baltresca é um especialista, mais especialista do que o Lucas, só que o Lucas precisa aprender com o Baltresca. Então, eu tenho que pegar o conhecimento que está na cabeça do Baltresca e transferir para a cabeça do Lucas, sem qualquer tipo de intervenção. Eu sou apenas um fio condutor, eu não sou filtro. Só que em várias áreas, por exemplo, quando eu trabalho com governos; empresas que dão curso de tecnologia e essas coisas, eu tenho que manter uma postura muito mais… Como posso dizer? Sem qualquer tipo de intervenção no processo. Eu sou muito neutro.

RB: É um condutor mesmo.

CM: É o fio condutor. Com a hipnose, porque tem muita linguagem não verbal inserida nela. Tem muitas coisas, por exemplo, para quem está ouvindo, o tom de voz faz diferença. Se o palestrante está falando: ‘’Então, neste exato momento você vai fechar os olhos’’. No momento que ele mudou o tom de voz, o intérprete segue na mesma linha de tom de voz que ele estava antes e, ele não traz essas nuanças para interpretação, ela se perde. E, você sabe muito bem que na hipnose, a fala é o único elemento, né?

RB: Interessante que não é somente o conteúdo que você tem que passar, né?

É a forma também, a velocidade…

CM: Tem a velocidade; contexto cultural. Por isso, como intérprete, nós sempre temos o cuidado de chegar para o palestrante. Por exemplo, imagina que vou interpretar o Rafael Baltresca, se a gente não tem tempo, geralmente a gente recebe o material com antecedência, mas se não temos esses elementos e tivermos a oportunidade de perguntar para o Rafael: ‘’Rafael, você vai contar piada? Se for contar, qual será? Você vai falar algum acrônimo, alguma sigla? Se for falar, qual é o acrônimo e o que significa? Nome de filme, livro, algum episódio histórico, fato ou acontecimento histórico.  A gente precisa saber com antecedência, porque imagina que você vai citar um filme qualquer e você fala que o nome do filme era ‘’Ghost’’, e você faz uma piada em cima do nome do filme. ‘’Ghost’’, em inglês, significa fantasma. Então, se você simplesmente disser o filme ‘’Ghost’’ e o intérprete não sabe que, em português, o nome do filme era ‘’Do outro lado da vida’’, ele vai interpretar o filme ‘’Fantasma’’.

RB: Não faz sentido algum.

CM: Primeiro, não existe um filme no Brasil somente com o nome fantasma

RB: Ghostbusters…

CM: É, Ghostbusters. Caça-fantasmas, né?

Mas somente fantasma, eu acho que não existe. E seguir depois, ‘’Fantasma: O outro lado da vida’’, não terá apelo nenhum.

RB: Não, nenhum sentido.

CM: Entendeu?

Então, a gente precisa saber das coisas com antecedência.

RB: Olha… Eu acho um trabalho espetacular. Queria saber um pouquinho antes de tudo isso. Porque, quero deixar claro que nesse início como o César era um cara competente no que ele faz.

Já vi fotos suas com o Ronaldinho, Ivete Sangalo. Você já esteve com gente do mundo inteiro e assim, a importância de um intérprete.

Eu estava me lembrando esses dias, quando eu fazia faculdade de engenharia, teve uma semana de palestras e tinha um gringo no meio. E, com meus dezoito anos, há vinte anos isso, falei assim: ‘’Não quero saber de tradutor’’. Então, eu peguei aquele fone que eles dão e não queria saber de intérprete, vou usar meu cérebro, tenho que aprender. Acho que eu manjo um pouco de inglês.

CM: Um cérebro 3.K né?

RB: Assisti a palestra inteira e, no final, eu falei com um amigo meu, dizendo: ‘’Cara, ele falou muito ‘’satellite’’ e eu não entendi’’. Ele dizia isso o tempo todo e eu não estava entendendo e, então ele me respondeu: ‘’Cara, ‘satellite’ é satélite’’.

A palestra dele foi sobre satélite. Acho que eu não entendi noventa e nove por cento.

César, hoje você é um cara que eu considero intérprete de sucesso. Você tem nome, experiência, já te vi em vários eventos. No evento em que nós promovemos ano passado, você esteve. Você é fera no que faz, falando o português bem claro.

Esse aqui é um poldcast que eu falo muito sobre empreendedorismo. Empreender, para mim, não é somente ter uma empresa. Empreender é no sentido literal da palavra, colocar uma ideia na prática. É você sair, às vezes, do zero e chegar em algum ponto que ninguém acreditava. Às vezes, até você se perguntava se era possível.

Então, eu queria que você me contasse um pouquinho sobre a sua história e, vou ficar intervindo, pinicando o tempo todo. Porque, para o público é legal saber quem era o César com cinco, dez anos e como é que você chegou nessa história que pode ser contada hoje. Com duas filhas, que tem a possibilidade de viajar pelo Brasil e pelo mundo, que você pode ensinar muita gente por meio da sua arte, interpretação, que você é um condutor de gênios porque você já interpretou gênios e não seria qualquer um para fazer esse trabalho. Mas quero saber o César, menino. Como é que começou tudo isso?

Você falou que não é filho de diplomata, que te levava a Dubai para fazer curso de inglês…

CM: Não sou o tipo de ‘’filhinho de papai’’, que estudou em escola bilíngue.

RB: Como é que você aprendeu inglês?

CM: Hoje, acho que posso dizer, que eu aprendi português; inglês; espanhol e italiano, sozinho. Porque eu aprendi a ler com doze anos e sozinho.

Eu morava na roça, em uma fazenda no interior da Bahia, no município de Ituberá. E tem uma fazenda chamada Jubiabá, que é produtora de cacau e seringa. Meu pai era cortador de seringa e eu era o assistente dele com meu irmão mais velho. Nosso trabalho era coletar o leite que ele cortava. Por morar na roça, eu não tive a oportunidade de estudar. Então, quando eu tinha mais ou menos uns dez anos, os meus pais chegaram a conclusão de que nós tínhamos que sair dessa fazenda para que pudéssemos estudar, porque eles não queriam que nós tivéssemos o mesmo futuro que eles, mesmo destino, por assim dizer. Meu pai é um homem extremamente humilde, ele deve ter estudado entre a terceira e a quarta série, enquanto minha mãe só estudou até a terceira série.

Meu pai é um homem extremamente inteligente, sabe matemática como ninguém e é um zelador da língua.

Eu lembro que quando eu era muito criança, acho que com três ou quatro anos, a gente morava em uma casa lá no interior da Bahia, na roça também, sem energia e sem nada. Meu pai chegava antes de dormir e fazia a gente conjugar verbos.

Imagina um homem que estudou até a quarta série, chegava a noite e fazia gente conjugar verbos.

RB: Ele foi autodidata ou alguma coisa assim?

CM: Eu acho que ele é autodidata. Não sei se ele estudou em um colégio. Ele disse que sim, mas a matemática que ele sabe é totalmente autodidata. Então, você chega para ele e fala: ‘’Pai, quanto que é dividir dois milhões trezentos e sessenta por novecentos e setenta e oito?’’ e ele vai lá e faz a conta de cabeça e te dá o resultado. Depois, ele faz isso no papel e te dá o resultado. Então, eu considero meu pai um gênio. Só que ele é um gênio que não usou a inteligência que tem, da forma como poderia ter usado. Então, é aquela coisa, se você tem um talento e, ele pode mudar a vida de alguém e a sua própria vida. Pode ser a sua própria, porque no meu caso, o meu talento mudou a minha vida e a vida das minhas filhas. O meu talento é ‘’línguas’’. Eu gosto de idiomas. Então, eu não poderia falar como aprendi inglês sem contar essa parte, de ter crescido na roça, morado em uma fazenda.

RB: Quer dizer, independente da sua história, essa sementinha que o seu pai plantou, ficou. Em algum momento, talvez, ela poderia aflorar.

CM: A semente que meu pai plantou, ela ficou de todas as formas. Eu sou o fruto, literalmente, da semente que o meu pai plantou. Porque, além disso, meu pai tinha trabalhado em uma fazenda de japoneses, antes de eu nascer. Então, ele aprendeu a falar algumas palavras em japonês.

Ele chegava em casa e gostava de brincar com a gente, dizia: ‘’César, 私に米を与える…’’ e, eu não fazia a menor ideia do que seria aquilo, significava ‘’me dá arroz’’.

Quer dizer, ele aprendia na fazenda e aplicava, aplicou durante alguns anos, enquanto nós éramos crianças, dando essas dicas. E eu ficava encantado com essa coisa de saber falar outra língua, só que eu não tinha a menor ideia, nem sequer sabia que existiam outras línguas. Quando meu pai falava para mim que ‘’ 私にコーヒーを与えるera ‘’me dá café’’ em japonês, eu não sabia o que era japonês.

Mas, eu fui morar na Feira de Santana, comecei a ler, tinha doze anos e então, com quinze anos eu tive a minha primeira aula de inglês. Estava na quinta série e fiquei feliz porque, apesar de estar na quinta série sendo um cara grande para essa sala, entrei e a professora de inglês, Diná, que eu lembro até hoje. Ela foi lá e escreveu no quadro: ‘’Hi, class! Hello, class! My name is Diná. Welcome!’’, acho que foi uma frase mais ou menos assim, era um texto de quatro frases. Eu fiquei encantado com aquilo e ela só escreveu. Então, comecei a querer estudar inglês. Nessa época, tinha uma novela chamada Vamp, com a Claudia Ohana, que tocava aquela música ‘’Sympathy for the devil’’ do Rolling Stones. Eu peguei a letra que estava naquela revista ‘’Bizz’’, letras traduzidas. A tradução era ‘’Solidariedade ao diabo’’. Eu falei: ‘’Gente, eu não posso’’. Eu era crente da Assembleia de Deus, não posso sair por ai, cantando ‘’solidariedade ao diabo’’.

RB: Agora eu lembro da Claudia Ohana no ‘’Vamp’’, cara… Olha só!

CM: Então, eu comecei a estudar inglês. Cara! Eu era apaixonado por brasileiro cantando em inglês. Por exemplo, a Claudia Ohana cantava em inglês e eu ficava impressionado.

RB: Mas para quem foi alfabetizado com doze anos, com quinze já estava no inglês. Quer dizer, a sementinha foi bem plantada, né?

CM: Pois é, exato! Eu acho que pelo fato de ter sido no final dos anos 80, porque isso aconteceu mais ou menos em 85.

RB: Isso você já estava em Feira de Santana?

CM: Feira de Santana. Quando eu fui morar em Feira de Santana foi em 85, tinha dez anos. Eu lembro que logo no ano seguinte teve a Copa do Mundo no México e eu não sabia o que era Copa do Mundo, não tinha a menor ideia do que era, porque a gente não tinha televisão. Lembra? A gente morava na roça sem eletricidade, logo, sem televisão.

Todos os programas de televisão de infância que as crianças da minha idade assistiam, eu não conhecia, não tinha a menor ideia. É como se eu tivesse saído de um mundo que não existia para mim e fosse colocado em um outro mundo totalmente novo.

Voltando um pouco, para explicar como que eu aprendi inglês. Enfim, cheguei na minha sala de aula, tive a minha primeira aula de inglês, só que aconteceu um problema. Minha primeira aula de inglês foi em uma terça-feira, então a próxima aula seria em uma quinta. Mas nessa quinta-feira era feriado, não lembro do que.

Nesse dia eu não pude ir para a escola e a minha mãe foi pescar, porque ia ser um feriado prolongado e, eu fui busca-la no final do dia. Eu cheguei lá no lago, era uma lagoa enorme que tem lá em Feira de Santana e a cestinha de iscas, que ela usava para pegar os peixinhos, caiu no rio. Como eu era o único que sabia nadar entre os meus irmãos e nós estávamos em quatro, ela simplesmente falou: ‘’Cesar, entra na lagoa e pega a minha cestinha de iscas’’, então eu entrei na lagoa, não sei o que aconteceu porque eu não lembro, juro por Deus.

Só sei que quando eu cheguei em casa eu estava com uma febre de mais ou menos 37/38°. Eu tinha adquirido um verme chamado ‘’Schistosoma’’ e quase me matou, literalmente. Porque o remédio que você toma para matar esse verme, não pode tomar se você tiver tido febre nos últimos quarenta e cinco dias e, eu estava em febre.

RB: Tomando o remédio?

CM: Não! Eu fui até uma unidade da ‘’Sucan’’, eu não sei se você era nascido, mas existia um órgão chamado ‘’Sucan’’ no Brasil, que trabalhava com febre amarela para acabar e imunizar com ela.

Eram uns caras que andavam com uma roupa marrom, amarela, que vai de casa em casa e coloca um papel atrás da porta. Então, são esses caras da Sucan.

Então, eu fui até a sede da Sucan para tomar um remédio. Quando chegou lá, tinha um exame que constava que era ‘’Schistosoma’’, era um remédio controlado que só podia ser dado nesse mês e órgão. Então, eu cheguei lá e o cara trouxe o copo com água e o remédio colocou na minha mão. Na hora que eu ia colocar na boca, minha mãe fez assim no meu braço: ‘’espere um pouquinho’’ e, disse: ‘’Moço, não tem leite?’’, e o moço respondeu: ‘’Não, por que?’’, e minha mãe disse: ‘’É porque ele está muito fraco e está com febre há mais ou menos um mês, se ele tomar esse remédio com febre eu não sei se ele vai conseguir’’. O cara falou: ‘’Moça, se ele tomar esse remédio, vai morrer. Ele não pode tomar esse remédio com febre, você devia ter me dito!’’. Então, o cara tomou o remédio da minha mão, entregou para minha mãe e disse: ‘’Promete para mim que ele não vai tomar esse remédio até passar a febre?’’.

Então, eu voltei para casa, fiz o processo todo e enfim, me curei e voltei para sala de aula para poder fazer minha primeira aula de inglês, primeira prova de inglês. Fiz a prova e tirei 0,3 ou 3, não sei. E a minha querida professora Diná disse que eu era burro porque tinha tirado três naquela prova.

RB: Nossos queridos professores hipnotistas de inglês…

CM: Hoje eu sou grato a professora Diná, porque na hora que ela falou que eu era burro por ter tirado uma nota muito ruim, fiquei com muita raiva dela, e transformei aquela raiva em provar para ela que eu não sou burro. Então, foi quando eu comecei a minha saga.

Eu fui na casa de uma amiga que o marido dela era segurança em um condomínio lá em Salvador. E lá, os ‘’bacanas’’ tinham dessas revistas que você pega em avião e hotel e, então ele trouxe uma revista que chama ‘’A célula do livro’’ que tinha um artigo chamado ‘’A célula do vidro’’, porque ele tinha a questão dos prédios no Japão, que estavam sendo construídos em aço e vidro, ou seja, mudando a arquitetura japonesa para uma um pouco mais leve. Então, o que aconteceu foi que eu passei um dia inteiro traduzindo esse texto. Terminei, traduzi e entendi o que o texto dizia.

RB: Estava em inglês?

CM: Era uma revista bilíngue, então ela tinha em inglês e japonês. Eu queria entender o que estava escrito e tinha apenas uma forma, eu tinha que traduzi, porque não tinha ninguém que traduzisse para mim. Eu morava na Feira de Santana em uma favela, por assim dizer, no meio do nada. As minhas referências de inglês não existiam. Minhas referências eram Claudia Ohana, Paulo Ricardo que eram as pessoas que cantavam em inglês, mas eu não tinha a menor ideia se eles sabiam falar em inglês ou não. Sabia que cantavam em inglês e eu achava aquilo fascinante. E eu ficava encantado porque eles iam no programa do Chacrinha, cantavam inglês e depois falavam em português, eu nem sabia que eles eram brasileiros.

RB: Traduzindo da cabeça um livrinho, indo 15km para aprender inglês e vendo os cantores.

E a galera que hoje, em 2018, reclama: ‘’Ah… eu não consigo aprender e inventa qualquer desculpa’’, para você isso deve ser um absurdo, né? Porque no YouTube tem tudo. Curso de qualquer coisa tem lá.

CM: Eu costumo dizer, Baltresca, que as pessoas hoje em dia, estão muito mais preguiçosas.

RB: Porque será essa preguiça tomou conta, ein? Porque tem muita informação? Aquela ideia assim: ‘’Ah, tá ai, quando precisar eu pego’’.

CM: Eu acho que é o excesso de oferta.

RB: Eu também acho. Porque quando você não tem nada, na lama, você se mata por um pirulito. Agora, se você tem tudo na sua frente… Acho que um pouco isso, né?

CM: Eu acho o seguinte, dentro da nossa sociedade existe aquilo que a gente chama de pessoas que aprenderam a transferir uma responsabilidade que era dela para o outro. Por exemplo: ‘’Ah, eu não aprendo inglês porque não posso fazer um curso de inglês’’, se não pode fazer um curso de inglês porque é caro, não tem tempo, enfim a desculpa sempre vai existir. Ou aquela pessoa que se matricula no curso de inglês e diz que não aprendeu porque não se adaptou ao método. E eu penso: ‘’Caramba! Se você não adaptou-se ao método, cria seu próprio método. Como que você aprende? Ouvindo? Vai ouvir poldcast’’, ‘’eu aprendeu lendo’’, então compra uma revista. Descobre um jeito de aprender.

RB: Tem muito jeito.

CM: Tem muito jeito e tem muito material. Você tem ideia que na época que eu estudava inglês, por exemplo, eu tinha que comprar revista de música na banca, aquelas revistas cifradas para você aprender a tocar violão. Então, eu tinha que esperar a hora que tocava a música no rádio, porque eu não tinha aquela fita cassete, não tinha dinheiro para comprar.

Então, eu tinha que esperar tocar para poder acompanhar e ficava ‘’pê da vida’’ quando o cara colocava lá: ‘’Antares.fm 100,9’’, logo na parte que eu queria entender. Quando o Elton John estava cantando ‘’Sacrifice’’, eu não entendia aquela ‘’It’s a human sign…’’.

RB: Eu comecei a aprender inglês com música também. Para mim fazia sentido.

CM: Mas faz sentido.

RB: Bom, acha o que funciona para você né?

CM: Sim.

RB: Então, se é livro, música, revista, poldcast…

CM: Tem gente que aprende assistindo filme, cara.

RB: Filme também.

CM: Tem gente que aprende lendo Comics, como é que fala… Gibis.

RB: A gente está falando de quando você estava com dezessete anos já?

CM: É, dezesseis para dezessete anos já.

RB: Trabalhava com?

CM: Ajudante de pedreiro.

RB: Isso você não me contou.

CM: É, eu era ajudante de pedreiro.

RB: Como assim ajudante de pedreiro?

CM: Bom, é aquela velha história…

RB: Na minha cabeça não faz sentido, ajudante de pedreiro e estudando inglês. Mas você vislumbrava um futuro como um intérprete ou era hobbie?

CM: Olha, eu acho que assim. No começo, eu não tinha sequer ideia do que eu estava fazendo, eu não sabia exatamente. Mas depois que a coisa começou a ganhar corpo, comecei a ter mais ou menos uma ideia clara, quer dizer, tímida do que eu seria. Sabia que eu falaria inglês, mas não o que iria fazer. Eu não tinha ideia do que eu iria fazer.

RB: Mas continuava estudando.

CM: Continuava estudando. Mas é importante isso, Baltresca, deixar isso bem claro. O que me motivou a aprender inglês, acho que tive algumas motivações, mas uma delas foi o fato de eu ouvir música em inglês e não entender o que estava sendo cantado, e eu era crente e não podia me dá a esse tipo de situação porque seria pecado, na época, pelo entendimento da igreja. E a segunda coisa, que eu acho que foi extremamente essencial nesse processo, foi as pessoas me dizendo que eu não conseguiria.

RB: Isso para você virou um estímulo? Te motivou?

CM: Virou um estímulo. Muito!

RB: César, falando em ajudante de pedreiro que a gente sabe que não é uma profissão que você ganha rios de dinheiro, ganha pouco. E, muita gente me descreve no YouTube e nos e-mails que isso é a coisa mais normal do mundo e a primeira coisa que eles escrevem é assim: ‘’Eu não tenho dinheiro. Você me dá um curso de graça?’’, pera ai, como assim curso de graça?

Então, muita gente coloca o dinheiro, a barreira do dinheiro a frente de tudo.

Porque no YouTube, eu mesmo tenho um curso de grátis que é no Aprendendo Hipnose, tem mais de dez horas grátis, sem precisar pagar um real.

Você encontra curso de culinária, curso de tudo. Eu vejo que não é o dinheiro um grande impeditivo. Eu também não vou dizer que é fácil a pessoa não ter dinheiro, mas acho que quem escolhe a barreira somos nós. Agora eu posso te dar duzentas desculpas para não fazer um monte de coisas, independente da minha situação.

Estou lendo um livro muito legal que fala um pouco sobre parâmetros. Onde você coloca o seu parâmetro?

Para nós, por exemplo, parâmetro de felicidade é ser presidente dos Estados Unidos, talvez a gente viva infeliz a vida inteira. O livro fala muito desse parâmetro psicológico. Se um ajudante de pedreiro coloca um parâmetro na sua própria vida, dizendo que não pode ser feliz, conquistar e um monte de coisas porque não tenho dinheiro para isso, a pessoa fica presa.

CM: Eu acho que, hoje em dia, a gente vive no mundo ‘’das desculpas’’, ‘’o ocupado é o outro’’. O que você falou sobre pedir um curso de graça, me fez lembrar que eu estava em um treinamento com o Érico Rocha e ele falou exatamente isso, que as pessoas escrevem para ele e dizem: ‘’Érico, me dê o curso de graça. Eu vou aplicar, assim que aprender, te pago’’. E ele disse que não fará isso porque tenho família, este é o meu negócio. Se cada pessoa que solicitar um curso de graça, eu ceder, depois vou ser mais um pedinte.

RB: Existe um outro lado também. Se a pessoa não investe energia, dinheiro, ela não dará o valor que seria quando pago.

CM: Baltresca, somente para você ter uma ideia. Eu conheço milhares de pessoas e dezenas já me pediram para ensinar inglês e digo sim, mas o diálogo termina por aqui. Pois, ele fica esperando que vou trazer o curso de graça. Eu posso ensinar inglês e tenho capacidade, mas precisa partir de você.

Minha filha tem 19 anos e nunca ensinei inglês para ela, mas ela fala. E sabe por que eu não ensino?

Porque eu nunca a vi estudando ou com um livro na mão. Não sei como ela aprendeu, mas ela buscou, nunca fez curso, mas correu atrás.

RB: Na sua opinião, permaneceu o ensino e as dicas, o conjugar os verbos que o seu pai te deu? O que mudou para suas filhas? O que você acha que fez a diferença para elas?

São duas moças, certo?

CM: Uma das coisas que é muito importante é a gente, digo ser humano, entender a melhor forma de liderança.

Nós vivemos em uma sociedade, na qual as pessoas não se preocupam com o legado, apenas com herança. O dinheiro sempre aparenta ser um empecilho.

Não importa o tamanho da semente que você tem ou alguém plantou, se ela for regada, independente do tipo de solo, e fizer sentido, florescerá.

Então, eu não sou o tipo de pai que pega nas mãos das minhas filhas e conduz a aprender. Eu digo para elas que escolhi aprender inglês porque, para mim, passar o dia falando, interpretando a ideia de alguém que tem algo a oferecer, pois, uma pessoa não contrataria um intérprete se aquele serviço não fosse tão especial.

Então, o que acontece com o serviço de interpretação atualmente. Eu trabalho com pessoas que tem muito a dizer. Você, por exemplo, não estaria aqui gastando uma ou mais horas do seu tempo para editar, transcrever esses vídeos.

RB: César, pulando um pouco mais a frente. Quando você pensou que queria trabalhar como intérprete? Porque você fazia isso como um hobbie, trabalhava como ajudante de pedreiro.

Qual foi o próximo salto, quando você deixou de ser ajudante de pedreiro, você passou direto para interpretação ou foi outra coisa?

CM: Na verdade, a história é que os meus pais se separaram. Meu pai foi morar em Rondônia e minha mãe permaneceu em Feira de Santana. Então, meu pai chamou a minha irmã para morar e trabalhar com ele em Ariquemes e eu fui, sem ser convidado, mas fui.

Ao chegar lá, fui trabalhar em um banheiro, como zelador. Lavava o banheiro.

RB: Em Ariquemes? Você já falava inglês?

CM: Isso, uma cidade no interior de Rondônia. Já falava inglês.

Eu ficava cantando e limpando em inglês, porque eu aprendi a falar inglês ouvindo música, então todas as músicas que você imaginar, eu sabia. Elton John, Bon Jovi, Whitney Houston e muito mais.

Então aconteceu que, tinha um jogador na equipe que estava com a perna quebrada, sendo que ele tocava violão, somente internacional, porém não cantava. Ele ficava em cima tocando violão e eu ficava lá embaixo cantando no banheiro, literalmente.

RB: Literalmente cantando no banheiro.

CM: Aconteceu um episódio e, por causa disso, esse jogador de futebol falou para mim: ‘’Cara, eu vou colocar você para cantar em uma banda’’ e, eu fui. Nessa banda, a gente tinha aquelas casas de banda onde todos os músicos moravam. E, em frente a casa que estávamos, morava um rapaz que era amigo do diretor da Escola Estadual de Ariquemes. A escola estava precisando de um professor de inglês e eu era o único cara na cidade que sabia falar essa língua e fui contratado. Detalhe, nessa época eu só havia estudado até a oitava série e fui ser professor de inglês.

RB: Até a oitava série, tinha passado por ajudante de pedreiro, depois limpou banheiro, foi para banda e chegou a cantar?

CM: Cantei durante muito tempo.

RB: É sério? Gostava de cantar o que?

CM: Cantava muita música do Netinho, pagode, música baiana, axé, Só pra Contrariar e essas coisas.

RB: E, do banheiro para sala de inglês?

Você lembra do primeiro dia?

CM: Não. Mas eu lembro que foi bem interessante. Eu era bem magrinho, tinha mais ou menos uns setenta quilos, sendo que é o peso que quero voltar agora depois de uma maratona louca. E tinha o cabelo todo enroladinho, era e continuo sendo muito fã do Djavan e queria parecer com ele. Chegava na escola e, aquele monte de menininhas, porque eu era moleque, tinha apenas dezenove anos e fui entrar na sala de aula para dar aula de inglês.

As meninas não queriam saber de inglês, nem de estudar, mas gostava de ficar mexendo no meu cabelo. Então é essa a lembrança que eu tenho.

RB: Mas você deu aula ou não?

CM: Dei aula, claro. Eu era professor, mas sai da escola logo. Porque, tinha uma menina brasileira que morava na Inglaterra, vinha de Ariquemes e ela veio para o Brasil querendo alguém que falasse em inglês porque ela estava entediada em Ariquemes. Imagina, a menina estava em Londres e foi para Ariquemes, estava entediada e queria alguém para falar inglês.

Então, a diretora da escola disse para ela: ‘’Maiva, vai lá na minha escola porque tem um cara lá que diz ser professor de inglês, mas a gente não sabe se ele realmente fala porque ninguém fala inglês na escola, então vai lá saber se isso é verdade’’. Então, essa menina foi para conversar comigo.

RB: Para fazer um teste sem você saber…

CM: Exato. E, no final ela falou: ‘’Cara, você fala inglês, acho que vou conseguir um emprego melhor para você’’. Então, fui dar aula no CCAA, por essa menina.

RB: Como foi para o seu pai e a sua mãe verem você evoluir de um ajudante, zelador de banheiro e passar a ser um professor de inglês, creio que um motivo de orgulho para eles.

CM: Foi meio loucura. Lembro que o meu pai, na época, trabalhava como vigilante a noite e, durante o dia, como cozinheiro. Eu me aproximei dele e disse: ‘’Pai, eu preciso comprar uma bicicleta’’, ele me perguntou o por quê eu precisava e eu disse para ele que trabalharia no centro de Ariquemes e, como morávamos longe, não havia condições de ir e retornar a pé. Então, ele foi comprar a bicicleta para mim e perguntou do que eu trabalharia. Quando disse que seria professor de inglês, ele não sabia como, com apenas dezenove anos.

Lembro que um dia eu cheguei em casa e, o meu pai estava ouvindo uma fita da ‘’Amway’’, aquela empresa de marketing multinível, e eu não sei até hoje porquê ele estava ouvindo isso. Era uma fita que tinha a voz do cara falando bem baixinho em inglês e a pessoa falava em cima em português, e uma vez havia dito para ele: ‘’Pai, um dia eu ainda vou fazer isso’’.

RB: É mesmo? Que legal! Dezenove anos… E fez!

Começou a dar aula de inglês, ela te chamou para o CCAA…

CM: Meu inglês era horrível. Eu falava, mas era extremamente enrolado, inglês de aluno ‘’Wizard’’ do primeiro nível. Aprendi traduzindo no dicionário.

RB: Você nunca teve um professor formal de inglês? Sempre foi autodidata.

CM: Como dizemos na Bahia, foi na ‘’tora’’.

O CCAA viu potencial em mim. Sou eternamente grato a duas pessoas, Elvio e Maraí, foram as pessoas que enxergaram potencial em mim e disseram: ‘’Você vai para o Rio de Janeiro’’, ocorreu em 1997, já estava com vinte e dois anos. Então, eles me mandaram para lá e fiz um curso para redução de sotaque.

RB: Existe isso?

CM: É um curso para quem já fala inglês e deseja lapidar. Por exemplo, ele ensina entonação. Porque a entonação em inglês é diferente do português. Se você diz: ‘’Uau, what a nice dress’’, dependendo da sua entonação, muda o sentido da palavra. A entonação no ‘’dress’’ significa que o vestido que é legal, mas se estiver em ‘’nice’’, o foco não é no vestido. Então, neste curso eles pegam frases e você fica repetindo, enquanto você não conseguir dizer com a mesma entonação, não muda para a próxima frase se o objetivo for o treino da entonação. O treino da pronuncia funciona da mesma forma. Isso está relacionado com a hipnose pois, é como se estivesse reprogramando os sotaques, fonemas e sons na sua mente.

RB: Depois você foi para…?

CM: Bom, durante muito tempo, fui professor, dei aula, CCAA, fui para o Rio de Janeiro, fiz o treinamento.

Eu morava na cidade de Ariquemes e a sede do CCAA localizava-se em Porto Velho, como se fosse São Paulo/São Carlos, mais ou menos a mesma distância. Eu dava aula para o nível 2, enquanto eu dava aula, estava estudando o nível 3, porque no semestre que vem essa turma retornaria para o nível maior e precisava de alguém preparado para dar aula, então foi assim que fui aprendendo.

Muitas vezes eu precisava ir até Porto Velho para fazer treinamento.

RB: Você já tinha na sua cabeça que queria trabalhar com idiomas?

CM: Eu sempre me foquei em desafios, eu gosto. Nós estávamos falando antes de iniciarmos o bate-papo, o desafio que é ouvir o inglês britânico com a ‘’boca fechada’’ e entregar para trezentas/quatrocentas pessoas, simultaneamente, de algo que todas essas pessoas entendem muito sobre o assunto.

RB: O público é especialista.

CM: Todos sabem do que você está falando.

Basta escorregar uma vez de manhã e outra a tarde, já é ruim.

RB: A credibilidade do palestrante está nas suas mãos. Se você faz uma interpretação rasa, para muitos que não souberem diferenciar e entender o que está acontecendo, o curso foi raso.

CM: Mas não é somente isso. Nós conversamos sobre o evento ‘’Hipnofactor’’ do ano passado. A dor de cabeça que foi para você preparar aquele evento juntamente com o Barrinha, com todas as coisas que ninguém sabe, com aquela loucura em saber horas antes que o cara não poderia embarcar.

RB: Imagina essa loucura e, então chega o César para interpretar e faz besteira…

CM: Quer dizer, teria acabado com o seu trabalho e reputação.

Porque as pessoas não vão dizer que o intérprete não foi bom, mas vão dizer que o evento não foi.

RB: Porque quem não precisa de intérprete está ouvindo o cara e quem está ouvindo você, esta é a voz.

CM: Qual é o próximo passo para o intérprete?

RB: Sempre que comecei a estudar inglês, pelo fato de ser sozinho, sempre houveram metas. Primeiro, queria entender música. Depois, CNN, Eminem, dar aula para os níveis mais avançados do CCAA porque haviam níveis que perduravam do um até o treze. Quem dava aula para este último, seria considerado o cara.

Eu era um professor nível sete que queria chegar no treze.

RB: Você chegou ao treze?

CM: Sim. Dei aula várias vezes para o nível treze.

Meu colega de Salvador estava no mesmo nível que eu, fluência e capacidade de inglês. Então, a coordenadora da escola chegou até mim, no dia de distribuição de turmas e disse que queria me colocar para dar aula, mas havia um problema porque o meu colega nunca havia dado aula para aquela turma e eu sugeri para colocá-lo.

Hoje, ele é mestre em Krav Magá e é um professor excelente.

RB: Você acha que o lance são metas?

CM: Metas. Você precisa ter.

RB: Claras?

CM: O nível de clareza, eu não sei. Porque, na época, eu sabia que estava aprendendo aquilo e teria alguma utilidade, mas não imaginava que um dia seria intérprete.

Quando eu comecei a ser intérprete, nunca imaginei que iria para um evento, pegar uma cabine e, fazer sozinho. Porque você sabe o quão complexo e desafiador é. O nosso sindicato dos intérpretes preconiza que somente podem trabalhar dois intérpretes sempre. Muitas vezes eu faço sozinho.

RB: Quando o dono do evento diz que está sem dinheiro e somente tem condições de colocar um intérprete, você agarra.

CM: Muito pelo contrário. Eu cobro mais caro para fazer sozinho.

RB: Muitas pessoas que estão nos assistindo, falando tanto sobre intérprete, muitas vezes não tem essa noção. Vamos fazer uma simulação.  

Eu vou falar em português, sabendo que vai ficar uma zona, mas imagina que você está ouvindo somente ele, para entender um pouco do trabalho dele.

Cabine fechada, está todo mundo com fone de ouvido e estão ouvindo o que você está falando. Vamos falar em qual idioma?

CM: Vamos falar em inglês.

RB: Sobre o que eu vou falar?

CM: Pode falar sobre o Baltresca.

RB: Eu vou inventar.

Imagina que tem aqui uma plateia de mil pessoas e você é a minha voz em inglês.

Estamos em Harvard agora.

Vamos lá!

RB: Fala pessoal! Boa noite a todos! Que barato estar aqui com vocês.

Eu sou do Brasil e é a primeira vez que venho aqui, fazer uma palestra para tanta gente em um faculdade tão incrível como esta.

Muito bem! Hoje vamos falar sobre pulgas astronautas que pousaram em Marte no último ano. Como vocês sabem, as pulgas tem uma matéria muito densa e quando você vê uma matéria densa, o que acontece? Provavelmente você pensa que ela não pode estar em um lugar como Marte. Mas na minha palestra, vou provar para vocês que é possível e que vocês podem comprar o CD no final.

Palmas para o César! Incrível!

Espetacular, cara! Não está nada combinado, viu?

Você sabia que eu falaria todas essas coisas?

CM: Não.

RB: Eu fiquei pensando em inventar umas loucuras porque você não sabe exatamente o que a pessoa vai falar. Você pode saber o tema, mas se ele quiser inventar uma piada no meio.

CM: Mas pulgas astronautas foi sacanagem.

RB: Ele não falou que dava aula para o nível treze.

RB: Para quem está assistindo a gente e derrapando em inglês ou algum outro idioma, existem várias reclamações, do tipo: ‘’Já testei, já tentei, mas não funciona’’. Você tem alguma dica que funcionou para você? O que você acha que falta?

CM: Eu acho que em primeiro lugar a pessoa precisa parar de transferir a responsabilidade, de culpar o outro, de dizer que não tem tempo; dinheiro e não foi feita para isso. Temos que parar com isso e agir. Entendeu?

Qualquer pessoa, eu digo isso sem a menor sombra de dúvida, que se dedicar, pegar um livro de inglês, seja de escola ou comprado na banca de revista, enfim não importa. Se ele pegar esse negócio e estudar todos os dias durante uma hora, de segunda a segunda, ele vai aprender.

RB: Não tem como…

CM: Não tem como não aprender. Uma hora. Não precisa ser muito por dia. Se você acha que falar inglês é importante, porque você pode mudar totalmente o seu salário. Imagina, eu era ajudante de pedreiro, hoje eu sou intérprete. Hoje eu consigo ganhar em uma único dia de trabalho, o que um ajudante de pedreiro levaria pelo menos metade de um mês para poder ganhar. Então assim, se você acha que falar inglês é importante para você, aliás se você entendeu que se você domina um outro idioma, pode fazer você deixar de ser ajudante de pedreiro e tornar-se um intérprete simultâneo.

Poxa, mês passado eu estava em Genebra, interpretando o ministro da Saúde do Brasil. Olha o investimento, você pegar um intérprete e levar para Genebra e quando chegar lá, ele não funciona. É meta.

Ouça música, ouça poldcast. Nós demos essa dica para ouvir.

RB: Sabe de uma coisa? A gente é muito atalho. Qual a forma mais rápida para ganhar dinheiro? Qual a forma mais rápida para aprender inglês?

Muito cursos são vendidos, usando esse apelo de que você vai aprender inglês em duas semanas. Não vai. Você não vai aprender. Eu não estou viajando, aqui em São Paulo tem várias placas de aprender inglês em quatorze semanas. Se você não estudar, não vai vir por osmose.

CM: Eu dei aula de inglês em uma escola aqui do Brasil que é muito boa. Mas é a escola que você tem que estudar.

Eu chegava para os alunos e falava: ‘’Se você vier para a escola duas vezes por semana e estudar uma hora por semana’’. Porque imagina que são duas horas e meia por semana e você está no primeiro nível. Você não vai falar inglês, mas ouvir inglês falado pelo professor. Depois de muito tempo estudando com aquele professor, talvez você comece a falar. Mas se você sair da escola todos os dias, e estudar inglês mais uma hora, independente se tiver aula ou não, estuda em casa. Como é estudar?

Assiste um filme na Netflix, por que não? Se tiver um objetivo.

RB: E a dica para aquele cara que está ouvindo a gente e fala assim: ‘’É, minha vida está ruim, tudo triste, feio, não vai para frente, não tenho dinheiro, meu pai não me ajuda… Você já deu a dica, né?

CM: Eu acho que é questão de decisão e parar para pensar que um cara como Jesus Cristo, que foi o ser humano mais espetacular que já passou nesse planeta, o cara mais falado da história, independentemente de religião, ele é falado e conhecido. Esse cabra nunca tomou um banho quente no chuveiro. Não existia.

Você sabe o que é Moisés passar quarenta anos viajando do Egito para Israel? E hoje em dia você pode fazer isso em duas horas de avião.

Quarenta anos para cruzar uma distância que dá para fazer em duas horas de avião. Entendeu?

RB: Para de reclamar da sua vida. Faz acontecer.

CM: Vai estudar!

Baltresca, você concorda comigo que qualquer pessoa hoje que estiver insatisfeita com aquilo que ela está fazendo, se ela quiser, em dois anos consegue mudar a vida dela?

RB: Concordo muito.

CM: Se eu quiser hoje, em dois anos, eu posso me tornar o que eu quiser.

RB: Isso é muito forte que você está falando.

Estava falando com o Fernando Colella, ele trabalha com o Couching e me dizia sobre as metas e falou algo bem legal, que tem muito a vê com isso, disse: ‘’Rafa, em dez anos, qualquer pessoa pode ser especialista em qualquer coisa. Pega um exemplo qualquer’’ e eu falei: ‘’Tocar piano no Municipal’’. Em dez anos você consegue, em cinco anos de estudo, em seis anos você toca bem se propusera-se a isso, mais três anos para você fazer contatos e conhecer gente. Só que para chegar nesses dez anos, ele divide o que você precisa fazer em cinco, em três, dois, um.

O que você precisa começar hoje para daqui um mês você estar em um patamar diferente e assim chegar até os dez anos.

O grande problema é que a gente olha lá na frente e pensa que não tem condições de fazer isso. Realmente, você não tem condições, mas o que você tem de condição para fazer hoje?

Tantos amigos falam para mim, um que trouxe faz menos de uma semana aqui, me disse: ‘’Você faz esses vídeos tão tranquilo’’ e eu respondi: ‘’Eu morria de medo de câmera, tremia, suava. É questão de treino, mão na massa’’.

CM: Você deve ter falado muito para o espelho.

RB: Até hoje eu faço isso.

CM: Eu falei muitas vezes em inglês na frente do espelho.

 

Para conhecer mais do trabalho do César, siga suas redes sociais procurando por Cesar Melo no Facebook ou @6cesarmelo no Instagram!

Nos vemos no próximo mês para mais uma entrevista bombástica!

 


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Rafael Baltresca

Rafael Baltresca é palestrante, facilitador e hipnólogo corporativo. Atua desde 2004 como conferencista dentro e fora do Brasil.
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