BalCast #28 - 10 leis da felicidade - Parte 1 - Rafael Baltresca

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BalCast #28 – 10 leis da felicidade – Parte 1

by  Rafael Baltresca

Tempo de leitura: 9min

Na publicação de hoje, você irá conferir mais um bate-papo sobre finanças, porém sob uma ótica diferenciada… Para tratar deste assunto e trazer mais conteúdo e novidades sobre o mercado financeiro, entrevistei o grande Luiz Afonso Roxo, um dos fundadores da ZenEconomics.

Confira, abaixo, um trechinho da nossa conversa:

RB: Quando você começou a trabalhar com isso?

AF: Nós estamos no mercado financeiro há bastante tempo. Eu sou advogado de formação e nós brincamos que começamos desde que meu irmão nasceu e por muito tempo eu e meu irmão seguimos caminhos diferentes disso, mas parece que tudo sempre me levou para essa área. Então, desde 2010, nos reencontramos para tratar desta questão financeira. Antes disso, em 2007, meu irmão trabalhava em um site de formação de trenders, pessoas que atuam no mercado financeiro, que adotaram o mercado como profissão. Para quem não entende, o trend é um cara que compra e vende ativos, nem sempre ações. Resumidamente, dividimos em renda variável e renda fixa. Renda fixa são títulos-tesouros, títulos-letras… e a renda variável são as ações. E o meu irmão se especializou em uma área ainda mais complicada, que é a área de derivativo. Quem conhece um pouquinho de mercado vai entender. É a área de opções. Então ele compra uma promessa em uma realidade futura.

RB: Opção é aquele “produto” que se o cara bobear ele quebra? Ele pode vender o que ele não tem e depois ter que pagar por isso, certo?

AF: Exatamente. Não estamos falando necessariamente de alavancar nem de ter uma posição maior que a minha capacidade financeira. É uma operação como outra qualquer, estruturada, mas com essa característica. Se eu fosse fazer uma comparação com um cassino, diria que temos aquele jogo de caça níquel, que é mais simples, e tem jogos mais complicados, como vinte e um, poker. Então assim, todo cara do mercado é um cara que gosta de jogar, gosta de ter essa vida relacionada ao risco.

O Luiz Fernando, meu irmão, veio desde 2007 trabalhando em um site de formação de trenders e o destino nos aproximou nessa época, porque havia um escritório de advocacia no mesmo prédio da empresa dele que estava com uma vaga aberta. Eu estava retornando de Salvador e meu irmão me indicou para este escritório, que trabalhava na área de direito bancário.

Então, o Luiz Fernando cuidava de preparar o pessoal para o mercado financeiro e eu cuidava da parte jurídica, dos problemas que o dinheiro gera: contratos, questões bancárias, juros, pessoas em dívida. E em 2010 resolvemos nos unir e começar a pensar em um modelo que ajudasse as pessoas a gerirem melhor o dinheiro. 

RB: O que me fascinou  quando eu te conheci foi justamente vocês falarem de dinheiro, ensinarem sobre o dinheiro, mas não falando só de dinheiro. Explica um pouquinho resumidamente qual a ‘pegada’ da ZenEconomics?

AF: A mesma questão que trouxe nesse início de trabalho com a Zen, a questão universal: “o dinheiro traz ou não traz felicidade?” Essa é a questão que norteia todo o trabalho da Zen, descobrir como o dinheiro pode ajudar as pessoas a encontrarem a felicidade, se é que encontram. Toda a educação que passamos para as pessoas parte deste ponto.

RB: Essa não é uma pergunta simples, porque muita gente vai dizer que não traz mas manda buscar. E as pessoas realmente acreditam que quem fala isso é quem já tem dinheiro e não precisa. Mas quando começamos a analisar questões do dia a dia conseguimos refletir. Há dois dias eu descobri que um mágico americano hiperfamoso se enforcou em um castelo mágico lá em hollywood. Era uma pessoa que aos nossos olhos tinha tudo. Ele mesmo se intitulava “o mágico dos mágicos”. Tinha dinheiro, renome, fama… mas para a pessoa se enforcar, talvez não tivesse tudo. As pessoas ao redor dele diziam que ele estava em uma constante depressão. Então, eu estou mais do que convencido de que dinheiro não traz felicidade. Ele é uma parte do todo. E você pensava nisso desde sempre? 

AF: Sempre, porque eu vinha dos conflitos jurídicos com o dinheiro e o meu irmão vinha do mercado com caras se matando na mesa para comprar e vender. E quando tudo aquilo acabava eles “aliviavam” essa sobrecarga comendo e bebendo demais. Meu irmão conta que uma vez ele apertou um botão errado e perdeu uma quantidade grande de dinheiro. Daí ele saiu com a namorada para tentar espairecer. Imagina, 110 Kg, fumante, tinha acabado de perder uma grana, estava estressadíssimo. Ele chegou no restaurante e começou a ter palpitações e teve que sair de lá de ambulância.

Eu me perguntava por que essa turma que ganha dinheiro tem tanto conflito? Por que o dinheiro não cabe com a felicidade? Então, essa questão sempre esteve presente. Porque a pergunta que fazemos é a seguinte: aquilo que estamos ensinando está te ajudando a evoluir? E segundo: aquilo que você aprende está te fazendo feliz? O dinheiro que você ganha está te fazendo feliz?

Nós não vamos deixar de tratar o dinheiro do ponto de vista estrutural, conceitual, teórico, porque nós viemos desta área. Mas tentamos enxergar o dinheiro com uma outra perspectiva.

A questão que começamos a observar é que precisávamos ajudar as pessoas a evoluírem. E para isso começamos a observar nossos atos, as pequenas decisões que tomamos na vida, como escolher uma roupa, o horário em que vamos sair de casa… uma sequência de atos. Com isso, nós vamos para uma área da economia comportamental, que é a área que está estudando como nós tomamos decisões, e essa área tem dito que tomamos decisões de duas formas: automática e analítica. A forma automática são os hábitos, aquilo que eu faço sem pensar. E na forma analítica nós paramos, pensamos, refletimos e tomamos a decisão. Mas estas são a menor parte das decisões, porque o cérebro vai sempre trabalhar no sentido de economizar energia, tentar fazer padrões para que eu não precise gastar energia pensando. Só que decisões importante precisam ser pensadas. 

RB: Eu iria mais fundo… eu diria que todas as decisões devem ser repensadas. Uma das grandes qualidade que temos como seres humanos é poder refletir sobre o óbvio. Um cachorro não sabe porque está brigando com outro por causa de um pedaço de osso, ele vai continuar fazendo isso porque é levado pelo instinto; já o ser humano tem essa capacidade de parar e refletir. E cada vez mais eu fico triste, porque ainda vemos gente jogando bituca de cigarro na rua, pessoas brigando como ogros. Ou seja, o básico precisa ser repensado. E a sua empresa propõe isso, de repensar o óbvio.

AF: Isso. Esse é um dos desafios que nós temos. Tendo bons hábitos e boas decisões conseguimos evoluir. Bom, falar de finanças basicamente é falar de uma conta matemática simples: receita e despesa. Se o problema é só dinheiro, fazemos uns ajustes e pronto. A questão é que o problema não é só dinheiro. O problema com o dinheiro é consequência de uma série de atos. Então, precisamos trabalhar nossos hábitos e decisões para termos uma melhor relação com o dinheiro. E para isso a pessoa precisa ser rica, não de dinheiro, mas de recursos. E recurso é tudo aquilo que eu posso utilizar, transformar.

Eu posso transformar o dinheiro em tempo, o tempo em dinheiro, o dinheiro em conhecimento, o conhecimento em saúde. O método da Zen é dividido em 5 recursos: dinheiro -> ganha, perde, administra e temos que saber lidar com ele. Vamos trabalhar algumas técnicas para que isso ocorra. A primeira fase da etapa é fazer com que a receita e despesa batam. A segunda fase é fazer com que sobre, a terceira fase é investir aquilo que foi poupado e a quarta fase é como que eu posso fazer para que o dinheiro sirva para outras coisas. O brasileiro não tem essa cultura nem de poupar, nem de investir.

Bom, como você já sabe, a conversa não parou por aqui… Mas está incrível, não?! Acompanhe na íntegra todas as dicas do Afonso sobre mercado financeiro assistindo ao vídeo no topo da página e depois quero saber se você gostou e se já conhecia as 10 leis da felicidade que ele compartilhou em nosso bate-papo. 

Rafael Baltresca

Rafael Baltresca é palestrante, facilitador e hipnólogo corporativo. Atua desde 2004 como conferencista dentro e fora do Brasil.
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